Reservatórios do Sudeste ficam abaixo do nível de segurança

Na situação atual, o ONS terá que se utilizar de todas as fontes de energia disponíveis, a despeito do preço

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2008 | 12h20

A falta de chuvas fez com o nível dos reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste ficasse na quinta-feira abaixo do nível mínimo de segurança para garantir o abastecimento. Segundo o Informativo Preliminar Diário da Operação do dia 17 de janeiro, divulgado nesta sexta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível de armazenamento ficou em 44,8%, 0,5 ponto porcentual abaixo da curva de aversão ao risco (CAR).   Veja também: Os níveis dos reservatórios    O fato de o nível dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste estar abaixo da CAR não significa que o Brasil enfrentará um "apagão" no curto prazo. A CAR, que nessas duas regiões é atualizada diariamente, é um mecanismo que tem por objetivo estabelecer um nível mínimo de armazenamento de água para que o sistema tenha condições de atravessar sem problemas no abastecimento elétrico o período seco (sem chuvas), entre abril e novembro de cada ano. Na situação atual, o ONS terá que se utilizar de todas as fontes de energia disponíveis, a despeito do preço, para evitar uma queda ainda maior dos reservatórios.   Isso já tem sido feito. Segundo o informativo, as termelétricas produziram na quinta 6,117 mil MW médios, dos quais 1,849 mil MW médios de Angra I e II e outros 4,268 mil MW médios de fontes convencionais, como gás natural e óleo combustível. Até março, o Ministério de Minas e Energia prevê que o sistema terá condições de despachar outros 3 mil MW de energia térmica. A grande questão é que essas usinas têm gerado abaixo do previsto por conta da indisponibilidade de gás e por causa de problemas técnicos nos empreendimentos. Ontem, as térmicas convencionais produziram 305 MW médios abaixo do previsto pelo operador.   No mesmo dia do ano passado, o nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste estava em 69,2% da capacidade total, 38,5 pontos porcentuais acima da CAR de 30,7% da época. A situação era tão mais tranqüila por conta das fortes chuvas que o despacho das térmicas foi de 2,439 mil MW médios, quase um terço da produção atual dessa fonte.   Nordeste   No Nordeste, onde a situação também não é tranqüila, pelo segundo dia consecutivo o nível dos reservatórios permaneceu em 27,1% da capacidade total, mantendo a diferença de 17,1 pontos porcentuais para a CAR de 10% da região. No Norte, o volume de água disponível se manteve em 29,4%, a exemplo do que o operador havia verificado no dia 16 de janeiro.   O nível dos reservatórios também continua em queda no Sul, refletindo a medida do operador de exportar energia da região para o Sudeste. Na quinta, o recuo foi de 0,8 ponto porcentual, para 69,1%. Desta maneira, a diferença para a CAR da região caiu de 50 pontos porcentuais para 49,3 pontos porcentuais, considerando uma curva de aversão ao risco de 19,8%.   De acordo com o informativo, o Sudeste exportou na quinta 2,81 mil MW médios, dos quais 2,594 mil MW médios para o Nordeste e 216 MW médios para o Norte. Já o Sul enviou 290 MW médios para o Sudeste. Já a produção de Itaipu foi de 10,624 mil MW médios. A geração hídrica foi de 37,432 mil MW médios, 539 MW médios acima do programado pelo operador. A carga no Sistema Interligado Nacional foi de 54,203 mil MW médios.

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