Resgate a bancos vai disparar venda participações na Espanha

O resgate europeu aos bancos da Espanha vai pressioná-los a vender um império de participações nas principais companhias do país, encerrando uma cultura de vínculos e disparando uma ampla reviravolta no cenário corporativo espanhol.

TRACY RUCINSKI E CARLOS RUANO, REUTERS

26 de junho de 2012 | 10h50

A Espanha pediu formalmente empréstimos de resgate à zona do euro para recapitalizar bancos similares às conhecidas Caixas na segunda-feira, mas as instituições que receberem os recursos estarão sujeitas a regras de ajuda da União Europeia que incluem a venda de ativos de participações.

Com o preço de tais ativos em baixa por causa da influência da crise de dívida da zona do euro, essas operações provavelmente vão ser liquidações de grandes parcelas de participação em gigantes espanhóis que incluem Telefónica, Repsol e Iberdrola.

O banco suíço UBS estima que 22 bilhões de euros (28 bilhões de dólares) em participações espanholas podem ser colocadas à venda, a maior parte está nas mãos de bancos de poupança. Isso representa até 9 por cento do valor de mercado do índice de blue chips da bolsa do país.

Ao longo dos anos, os bancos de poupança da Espanha adquiriram assentos em conselhos de administração das maiores companhias do país, exercendo um poderoso papel na estratégia corporativa e industrial de setores que vão de turismo e imóveis a energia e telecomunicações.

Criados séculos atrás para ajudar fazendeiros em momentos de dificuldade, os bancos de poupança desenvolveram poderosas identidades políticas e regionais. As instituições rolaram dívidas de companhias com recursos apertados para impedir perdas com os empréstimos, enquanto executivos dos bancos ganharam consideráveis salários por ocuparem lugares nos conselhos de administração das empresas.

"Eles todos vão ter que vender. E sem ter uma luz no fim do túnel, dado o cenário macro e político, as chances de se desfazerem por um preço melhor parecem cada vez mais menores", disse Flemming Barton, analista da CM Capital Markets.

O Bankia, por exemplo, que no mês passado pediu uma linha de crédito de 19 bilhões de euros (24 bilhões de dólares), o maior resgate estatal na história espanhola, será o primeiro a abandonar participações em empresas.

O banco detém 20 por cento da companhia de tecnologia Indra, 12 por cento da International Airlines Group e 5,3 por cento da Iberdrola, bem como grandes participações na seguradora Mapfre, na operadora de hotéis NH Hoteles e na empresa de azeite de oliva Deoleo.

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