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Resgate de passageiros com sucatões enfrentará problemas

A possível operação de resgate de brasileiros com passagens da Varig no Exterior com os Boeings 707 da Força Aérea, os chamados "sucatões", terá de contornar pelo menos dois problemas. O jato brasileiro fere restrições quanto ao nível de ruído permitido fora do País e será necessária autorização prévia para entrada de avião militar e para transporte de passageiros. Segundo especialistas, o nível de ruído gerado pelos motores dos Boeings 707 brasileiros supera o limite permitido em cidades americanas e européias. Uma fonte explica que o jato tem redutores de ruído, que permitiram sua operação no passado recente no exterior, mas não abafam o barulho o suficiente para os limites atuais. O economista Paulo Bittencourt Sampaio alerta sobre o problema do ruído e diz que será preciso os outros países liberarem o embarque de passageiros, originalmente de vôos comerciais, em aviões militares. Outra fonte argumenta que vôos com passageiros dependem de pagamento de seguro e que não está previsto nos acordos aéreos bilaterais o apoio de aviões militares em caso de problemas enfrentados por empresas privadas. "Não está caracterizada uma situação de calamidade pública, de emergência desse tipo. Houve um problema puramente comercial. Como é que o Itamaraty vai contornar estas questões?", perguntou outro especialista. Ele lembra, ainda, que o sobrevôo de aviões militares nos céus de outros países depende de pedidos de autorização do Estado Maior da Aeronáutica para as Forças Aéreas dos países envolvidos. Já o coordenador de segurança do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Ronaldo Jenkins, reconhece que o problema dos ruídos existe, mas eventualmente estas jatos poderão receber autorização especial para operação. "Tudo é possível, desde que seja negociado", comentou.

Agencia Estado,

23 de junho de 2006 | 18h43

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