''Resistam ao controle de preços''

Secretário americano diz que países devem investir em eficiência energética para contornar alta de alimentos

Nalu Fernandes, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

Países que experimentam mudanças negativas no comércio devido aos altos preços das commodities, incluindo preços de alimentos, devem buscar implementar políticas energéticas melhores, focando medidas de longo prazo para promover crescimento sustentável agrícola e de desenvolvimento de energia, afirmou o secretário do Tesouro, Henry Paulson, em discurso ao Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial (Bird). Ele citou a existência de linhas internacionais para mitigar os impactos negativos do comércio internacional sobre estes países e advertiu que os governos precisam "resistir à tentação" de adotarem controles de preços e subsídios ao consumo que "não são eficientes para proteger grupos vulneráveis", acrescentou, durante Encontro de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Bird, em Washington. Enquanto a correção no mercado de moradias, o tremor no mercado de crédito e os preços do petróleo pesam sobre os riscos ao crescimento dos Estados Unidos, os países em desenvolvimento continuam em trajetória de expansão econômica recorde, observou Paulson. No entanto, com a alta de preços das commodities, ele destacou as recomendações feitas pelo Bird, em relatório, de gerenciamento das receitas derivadas dos altos preços das commodities pelos países em desenvolvimento para que se traduzam em base para o crescimento sustentável destas economias. Paulson afirmou que os fundamentos da economia norte-americana continuam "saudáveis", embora os riscos no curto prazo continuem negativos. Para os emergentes, ele destacou o sexto ano consecutivo de PIB acima de 6%, "uma conquista sem paralelos na história recente". O bom aproveitamento das receitas derivadas dos preços de commodities, disse Paulson, vai exigir o estabelecimento e manutenção de instituições sólidas, combinado com boa governança e bom gerenciamento das finanças públicas para garantir a qualidade de gastos. Paulson elogiou a criação do Fundo de Investimento Climático pelo Banco Mundial, e disse que os EUA pretendem contribuir com US$ 2 bilhões ao longo dos próximos três anos. O ministro das Finanças da Índia, Palaniappan Chidambaram, disse que está trabalhando com vários países doadores para estabelecer um portfólio para este fundo. AMEAÇAO diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, rebateu as críticas ao posicionamento do Fundo na questão da alta dos preços dos alimentos. Ele observa que a escalada de preços coloca em risco o que foi alcançado pelos países na área de desenvolvimento na última década e ameaça a estabilidade política de diversos países. "Estamos enfrentando um problema enorme", disse Strauss-Kahn, acrescentando que existe déficit na produção de alimentos. Desta forma, diz ele, "é problema para Banco Mundial, para o FMI, e vamos devotar muito tempo para este ponto", afirmou em entrevista coletiva após encontro em Washington. Nas próximas semanas, o FMI vai revisar as ferramentas da instituição para lidar com a crise dos preços dos alimentos. O Fundo trabalha com países da África e da América Latina em busca de alternativas para que eles posam enfrentar, no curto prazo, os problemas causados pela alta dos alimentos.

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