Resistência à crise tem limite, diz Dilma

Em documento para encontro dos Brics, presidente se mostra como a mais preocupada com impacto dos problemas internacionais

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 03h03

A capacidade brasileira de resistir à crise financeira mundial "não é ilimitada". A constatação é da própria presidente Dilma Rousseff, em declaração à publicação do grupo de pesquisa dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), à qual o 'Estado' teve acesso.

"Como outros países emergentes, Brasil tem sido até agora menos afetado pela crise global. Mas nós sabemos que a nossa capacidade de resistir não é ilimitada. Queremos e podemos ajudar, enquanto ainda houver tempo, aqueles países onde a crise já está aguda", disse a presidente Dilma, que desembarca amanhã em Nova Délhi, para participar da 4.ª reunião dos Brics. Sessenta empresários acompanharão a presidente Dilma na visita.

Os cinco presidentes dos países que integram os Brics dão depoimentos para o documento, mas foi a presidente Dilma quem demonstrou maior preocupação com a crise.

Em um texto curto, de apenas quatro parágrafos, a presidente citou seis vezes a palavra crise e, dos cinco, foi a única a se referir explicitamente à turbulência internacional.

Crescimento. A presidente tem motivos para tanta preocupação. Afinal, o Brasil com o "pibinho" de 2,7% de crescimento em 2011 foi o país que apresentou menor índice entre os cinco. O Brasil também cresceu menos que a média de toda a América Latina, que foi em torno de 4%.

"Está claro, agora, que a prioridade da economia mundial deve ser resolver o problema desses países que enfrentam crises da dívida soberana e reverter a maré recessiva atual", afirmou Dilma no documento.

E recomendou: "os países desenvolvidos devem colocar em ordem políticas coordenadas para estimular as economias que estão extremamente enfraquecidas pela crise".

A presidente defende no texto um novo tipo de cooperação entre países emergentes e desenvolvidos, que possa ser construída com "solidariedade e responsabilidade". Para Dilma, a solução da crise da dívida precisa ser combinada com crescimento econômico.

"O mundo enfrenta uma crise que é ao mesmo tempo de economia, governança e coordenação política" disse a presidente, no texto. "Não haverá retorno para a confiança e o crescimento até que intensifiquemos esforços coordenados entre os membros das Nações Unidas e outras instituições multilaterais. As Nações Unidas e essas organizações devem urgentemente mandar sinais claros de coesão política e coordenação macroeconômica."

Cooperação. A publicação reúne declarações de outros líderes, como o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, que defende a cooperação na luta contra o terrorismo, extremismo, intolerância e pirataria.

Para o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, os países que formam os Brics devem aproveitar cada oportunidade para transformar o mundo atual em "um mundo em que as pessoas não sintam medo do governo e as relações internacionais estão livres da hipocrisia, um mundo onde será mais fácil e eficiente trabalhar de forma conjunta".

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