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Resistência dos preços deve adiar corte de juros

Economistas reconhecem que há hoje um componente inercial na inflação, o que poderá retardar a redução dos juros básicos, possibilidade que estava sendo cogitada para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) marcada para a semana que vem. Isso não quer dizer que a economia esteja convivendo com inflação inercial. Manuais definem a inflação inercial como um processo inflacionário intenso gerado pelo reajuste pleno de preços de acordo com a inflação passada. O mecanismo de transmissão dos reajustes ocorre por meio da indexação formal.Para a economista do BBV Banco, Zeina Latif, o obstáculo ao corte dos juros no curto prazo é o componente inercial da inflação, que subiu mais de três pontos porcentuais desde outubro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ela explica que esse coeficiente inercial é diferente da inflação inercial clássica. O coeficiente inercial está presente em maior ou menor grau em todas as economias e revela a maior resistência dos índices para recuarem. É calculado por uma fórmula que mede quanto os agentes econômicos estão usando a inflação passada para corrigir os preços futuros. "É uma questão de tempo. Logo esse componente inercial vai recuar nos preços do varejo. No atacado, esse movimento já ocorreu", observa Zeina. Em sua análise, se esse prognóstico se confirmar, o Copom poderá reduzir os juros básicos no mês que vem. "Se o BC cortar os juros agora, o governo estará antecipando um cenário positivo." Essa opinião é compartilhada pelo chefe do Centro de Estatísticas e Análises da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Para o economista é preciso aguardar mais um mês e ter maior consistência nos índices de inflação antes de mexer nos juros. "É melhor dar o primeiro passo com tudo solucionado."Na sua opinião, o componente inercial da inflação está pesando. Ele acha exagero falar hoje que existe uma inflação inercial clássica. O que há é um componente inercial que faz com que alguns preços resistam mais. Ele considera o fato de o núcleo da inflação dos preços no varejo estar subindo nos dois últimos meses um obstáculo à redução dos juros. "A inflação ainda não é página virada." Fipe defende redução de jurosJá o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo, diz que existe condições objetivas para que o governo corte juros na semana que vem. "A trajetória da inflação é descendente. Só não vê que não quer." Para ele, hoje a economia não convive com inflação inercial. Heron observa que uma certa resistência à queda nos preços é natural, mas a tendência é de que os índices no varejo se reduzam gradualmente. Nas suas contas, a inflação trimestral apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fipe, que até abril é de 2,88%, deve recuar para 1,45% neste mês e para 0,97% em junho. "Quem não reconhece que a inflação está caindo?", pergunta Heron. De toda forma, ele pondera que o BC está fazendo o seu papel em ser cauteloso.Mercado já acredita em manutenção dos jurosO mercado financeiro já está começando a assimilar a idéia de que o BC manterá a taxa Selic em 26,5% ao ano. As declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles, de que será conservador na decisão de cortar ou não os juros, contribuíram para que o dólar caísse ontem, depois de duas altas consecutivas. A moeda americana recuou 0,84%, para R$ 2,945 ? o patamar mínimo de negociação desta sexta-feira. Os títulos da dívida brasileira, os C-Bonds, tiveram boa recuperação, fechando com alta de 2,61% para 88,5% do valor de face. A valorização dos papéis, no entanto, não foi suficiente para inverter a tendência de alta do risco país ? taxa que mede a confiança dos investidores na capacidade de pagamento da dívida. No encerramento da semana, a taxa de risco do Brasil apresentou alta de 1,76%, em 808 pontos, o que significa que o Brasil precisa pagar juros 8,08 pontos porcentuais superiores aos papéis norte-americanos para captar recursos no exterior.

Agencia Estado,

17 de maio de 2003 | 08h37

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