Sidney Oliveira/18/10/2017
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Responsabilidade ambiental já é decisiva para escolha de investimentos, dizem gestores de fundos

Evento da Fundação FHC e da Amcham reuniu Carlos Takahashi, CEO da BlackRock, Marcelo Marangon, presidente do Citi para o Brasil, e o vice-presidente da B3, Juca Andrade, para discutir a importância dos critérios ESG no mercado financeiro

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 15h54

Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) vem ganhando tanta força no mercado financeiro, que já são decisivos para a definição de investimentos, disseram executivos que participaram do painel “ESG e Investimentos”, promovido nesta sexta-feira, 23, pela Fundação FHC e pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).

Participaram do evento Carlos Takahashi, CEO da BlackRock, e Marcelo Marangon, presidente do Citi para o Brasil, além de Juca Andrade, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, que falou sobre as novidades nos índices temáticos da Bolsa de Valores. 

O Citi lançou a meta de alocar US$ 250 bilhões, no prazo de cinco anos, em iniciativas baseadas em três alicerces: transição para baixo carbono, risco climático e operações sustentáveis. A primeira diz respeito ao aumento da alocação de capital em atividades com energia renovável e conservação de água, por exemplo. 

A segunda, sobre a análise de projetos tanto na perspectiva do cliente quanto do próprio banco. “Qual impacto traz para o portfólio de empréstimo do banco? Estamos de fato trabalhando para reduzir carbono ou não?”, questionou Marangon. E, por fim, o Citi pretende prover 100% de energia renovável até o fim do ano nas operações do dia a dia no mundo. 

O tomador de empréstimo do Citi, contou, se compromete a atingir metas socioambientais com o uso dos recursos. “Se não atingir, há a reprecificação das transações. Assim, conseguimos colocar incentivos financeiros para que eles persigam essa meta. Temos um time dedicado que faz visita in loco às plantas que estamos financiando”, afirmou Marangon. 

Takahashi lembra que a BlackRock, enquanto gestora de recursos de terceiros, tem uma participação relevante em várias empresas do mundo. “No Brasil, temos no portfólio algo em torno de US$ 35 bilhões em renda variável e fixa. De forma que a BlackRock pode induzir as empresas a adotarem práticas mais apropriadas de sustentabilidade, sobretudo com o engajamento nos conselhos das empresas e com voto, quando necessário, para que efetivamente as empresas adotem posturas mais apropriadas.”

Segundo ele, atualmente, a gestora tem cerca de UR$ 127 bilhões em investimentos sustentáveis. Desses, US$ 25 bilhões entraram em 2020, duas vezes mais que no ano passado. “É um indicativo claro do interesse dos investidores em projetos que possam trazer impactos positivos à sociedade. Assumimos o compromisso de alcançar a cifra de US$ 1 trilhão do nosso patrimônio em investimentos sustentáveis até 2030.”

E a B3 está reformulando neste ano um dos seus principais índices de sustentabilidade, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), o quarto índice de sustentabilidade criado no mundo, em 2005. 

Para compor esse índice, atualmente, as companhias detentoras das 200 ações mais valorizadas da Bolsa brasileira precisam preencher um questionário composto pelos seguintes temas: econômico–financeiro, geral, ambiental, governança corporativa, social, mudança do clima e natureza do produto

Segundo Andrade, o questionário está sendo aprimorado. “Talvez algumas perguntas não se apliquem a determinadas empresas. Precisamos ser mais cirúrgicos, dependendo do setor de atuação”, disse, sem entrar em detalhes. 

Nesta semana, a B3 também anunciou uma parceria com a GPTW (Great Place to Work) para desenvolver índices reunindo empresas que integram o ranking das melhores empresas para se trabalhar. “Deve começar a (existir) partir de 2021.”

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