Resposta para crise é elevar exportações, diz Mercadante

A resposta para a crise cambial é elevar as exportações, defendeu o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), em entrevista à Agência Estado. "É preciso aumentar a linha do BNDES para o Proex e o Banco Central deve canalizar o câmbio para o setor exportador, porque esse dinheiro volta", disse. "Não dá para esperar cinco meses até o próximo presidente começar a agir; se necessário, podemos até eleger Fernando Henrique Cardoso agora", ironizou. "É urgente encontrar formas de trazer dólares para o Brasil." Na visão do deputado, o Congresso Nacional tem condições de aprovar, ainda neste ano, a mini-reforma tributária que eliminará, gradualmente, a incidência em cascata do PIS sobre a produção. "Espero que a crise faça acordar a elite do País", comentou. "O governo tem de governar. Do ponto de vista do PT, tudo o que for feito para aumentar o superávit comercial terá nosso apoio". Questionado sobre se tais medidas não demorariam a gerar efeitos que respondam à atual crise cambial, o deputado avaliou que ao menos a indicação de rumo seria positiva. "Temos de gerar superávit comercial, por que não começar agora?", questionou.Mercadante avaliou que o acordo que está sendo costurado neste momento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não resolverá o problema do País. "Nós temos um acordo com o FMI e mesmo assim a crise se aprofundou; a Rússia tinha acordo com FMI e precisou fazer moratória", exemplificou. Para o momento, disse, "um acordo com o FMI não resolve, a moratória não resolve". O que resolve o problema, na sua avaliação, é elevar o superávit comercial com a adoção de medidas mais contundentes a favor das exportações. Isso, na sua avaliação, melhoraria a situação do balanço de pagamentos. Ele lembrou que a Rússia fez a moratória em 1998, mas conseguiu recuperar-se graças a um superávit comercial na casa dos US$ 60 bilhões. Mercadante não quis comentar a possibilidade de o candidato à presidência da República pelo seu partido, Luiz Inácio Lula da Silva, comprometer-se com metas para 2003 que eventualmente poderão ser acertadas pela missão brasileira que encontra-se em Washington negociando com o FMI. "Até 31 de dezembro, a responsabilidade pela política econômica é do governo Fernando Henrique Cardoso", disse.Sobre 2003, ele limitou-se a dizer que não se posiciona sobre hipóteses. O deputado lembrou, porém, que o partido já se manifestou a favor de um superávit primário equivalente a 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003. Essa meta consta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2003 e teve o voto favorável do PT. Mercadante acha, porém, que será muito difícil obter um superávit maior do que esse no ano que vem. Primeiro, porque as receitas de 2003 serão pelo menos R$ 10,4 bilhões menores do que as deste ano, devido à redução da alíquota de tributos como a CSLL e o IRPF. Não bastando isso, há Medidas Provisórias para votar no Congresso envolvendo aumento salarial para parte do funcionalismo público. "Quero saber qual o impacto disso", disse sem, no entanto, deixar claro se o PT será contra essas MPs. Finalmente, o deputado considera que o superávit de 3,75% do PIB já representa um sacrifício suficientemente grande para a sociedade em termos de gastos sociais que deixarão de ser feitos. "É duas vezes o orçamento da Saúde e três vezes o da Educação", disse. Mercadante disse que não voltou a conversar com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, nem com outros integrantes da equipe econômica a respeito do acordo. A única conversa com Fraga, foi a de três semanas atrás. Naquele dia, disse o deputado, o presidente do BC admitia a possibilidade de ir ao FMI, mas achava que o quadro já apresentava melhora e que tal providência seria desnecessária.

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