Ressurge esperança de acordo na Rodada de Doha da OMC

Os participantes da reunião ministerialda Organização Mundial do Comércio comemoraram na sexta-feira aperspectiva de um acordo diante das propostas conciliatóriaspara destravar a Rodada de Doha do comércio global. Mas eles acrescentaram que ainda restam muitos detalhes aserem trabalhados. "O que está sobre a mesa não está perfeito,não está bonito, mas finalmente foi estruturado o que poderáser um impulso genuíno para a economia mundial eparticularmente bom para os países em desenvolvimento", disse ocomissário europeu do Comércio, Peter Mandelson. Ele disse haver "um acordo emergente, mas não um acordofechado." O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, foi maiscauteloso. "Há certas áreas de preocupação e certas áreas deconsenso", disse ele, que nesta semana foi acusado por outrosparticipantes de ser o principal responsável pelo impasse,devido à suposta resistência a concessões. Igualmente cuidadosa foi a representante comercial dos EUA,Susan Schwab, que anunciou um acordo preliminar, mas alertouque "um punhado de países emergentes realmente ameaçam estarodada para o resto de nós." A proposta de acordo surgiu ao final de cinco horas dereunião dos sete principais participantes do encontroministerial, e em seguida foi revisado pelos 35 ministros queforam convocados nesta semana a Genebra pela OMC para umencontro que está sendo considerado "a última chance" da Rodadade Doha, antes que o processo seja atropelado pelo calendárioeleitoral norte-americano. Nessa nova versão, os países em desenvolvimento conseguiramtirar mais uma lasca dos subsídios agrícolas dos EUA --consta oteto anual de 14,5 bilhões de dólares, contra os 15 bilhões queWashington havia oferecido no começo da semana. Mas também há mudanças nos itens relativos à proteção queos países em desenvolvimento podem oferecer a determinadossetores industriais e agrícolas, outra importante controvérsianas discussões. "Todos têm preocupações, cada membro tem preocupações,(mas) nenhuma delegação disse que este documento deveria serrejeitado", afirmou Keith Rockwell, porta-voz da OMC. Postura destoante no final do dia foi da Argentina. O ministro de Relações Exteriores do país, Jorge Taiana,afirmou que o documento conciliatório "não era aceitável em suaforma corrente". Na manhã de sexta-feira, as posições de países ricos e emdesenvolvimento pareciam inconciliáveis. Mas mesmo pela novaproposta não há nada garantido, pois há uma série de disputasparalelas, como um conflito entre países pobres e a UE arespeito do comércio de bananas. Porém, num sinal adicional de otimismo, a OMC convocoufinalmente para a tarde de sábado a "conferência desinalização" sobre o setor de serviços, que vinha sendo adiadapor causa do impasse nas outras áreas. Esse setor --que inclui atividades como bancos etelecomunicações-- representa 50 a 80 por cento das economiasda OMC, mas ocupam uma fatia relativamente pequena nocomércio.

JONATHAN LYNN E DOUG PALMER, REUTERS

25 de julho de 2008 | 19h00

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