Restaurantes resistem em repassar inflação para o cardápio

Proprietários afirmam, porém, que reajuste é questão de sobrevivência; carne e grãos são os grandes vilões

Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br,

02 de julho de 2008 | 13h36

A alta dos preços dos alimentos já impacta o setor de refeições fora de casa. Restaurantes, bares e padarias tentam absorver a inflação das commodities agrícolas – que começa a ser repassada ao consumidor final. A boa notícia, ao menos por enquanto, é que os brasileiros não deixaram de se alimentar fora do lar, mesmo com o aumento dos preços.   Veja também: Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação    Segundo o diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Marcos Brozinga, a demanda está aquecida e o poder aquisitivo da população continua elevado. "Não adianta fazer um reajuste muito grande, pois espanta os clientes", afirmou o diretor durante a Fispal Food Service, feira do setor de alimentação realizada na semana passada em São Paulo. Mas alerta: "Se os aumentos continuarem, os estabelecimentos terão que fazer novos ajustes. É uma questão de sobrevivência".   A refeição fora de casa foi o item que mais influenciou a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de maio, com aumento acumulado de 6,43% e contribuição de 0,24 ponto porcentual para a taxa acumulada no ano, segundo o IBGE.   O repasse do campo para o prato é confirmado por Elizeo Marcos Franco, proprietário de um café e bistrot em Jundiaí, no interior de São Paulo. Ele e o sócio Vagner Lima decidiram aproveitar a reformulação do cardápio para aumentar os preços, que passarão a ser alterados de quatro em quatro meses e não mais a cada semestre.   Os empresários reforçam a afirmação do diretor da Abrasel: "Perdemos lucratividade, mas ainda não perdemos clientes". Para eles, a carne bovina e o macarrão são os grandes vilões da inflação. Suprimir o item do cardápio e buscar novos fornecedores são algumas das soluções levantadas. A primeira opção, porém, nem sempre é possível: "Em uma cidade como Jundiaí, que tem uma churrascaria em cada esquina, é difícil não oferecer carne", afirma Franco.   A alta dos preços, no entanto, preocupa o setor, que se organiza para não perder público. As indústrias de massas, por exemplo, reivindicam no Congresso a isenção de impostos sobre o trigo, mas a questão ainda está sendo discutida. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Cláudio Zanão, se mostra otimista e diz que os preços devem cair no segundo semestre.   Uma das razões para a queda, segundo Zanão, é a colheita de uma supersafra do trigo. Segundo ele, a estimativa é que sejam colhidas, no mundo, 650 milhões de toneladas do grão ante 600 milhões na safra anterior. Dessas, estima-se que 4 milhões serão produzidas no Brasil. Mas o industrial ressalta que uma queda maior no preço só será possível daqui a duas ou três safras, quando os estoques mundiais forem repostos. Os consumidores devem se preparar, então, para uma solução apenas no longo prazo.

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