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Restrição a caminhões provoca fila de 50 km

Decreto assinado por prefeita de Cubatão fechou pátios reguladores durante a noite; medida foi suspensa até terça, 4

Renée Pereira e Zuleide de Barros, de O Estado de S.Paulo,

28 de maio de 2013 | 17h32

SÃO PAULO - Depois de provocar um congestionamento de 50 quilômetros (km) nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, a prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), teve de suspender o decreto municipal assinado sexta-feira. O documento limitava o horário de funcionamento dos pátios reguladores (onde ficam estacionados os caminhões rumo ao Porto de Santos) das 8 às 18 horas.

Fora desse horário, o local tinha de ser fechado – um contrassenso diante da decisão do governo, no início do mês, de determinar a operação 24 horas dos portos públicos para amenizar os gargalos logísticos. Desde fevereiro, com a safra recorde de milho e soja, o Porto de Santos – e seus acessos – está sobrecarregado.

O decreto da prefeita provocou um caos generalizado na região, travando não só a descida para Santos como também a subida da serra. De acordo com a Ecovias, o tráfego ficou parado desde a praça de pedágios, no planalto. Os caminhoneiros eram os mais revoltados com a situação, uma vez que foram pegos de surpresa com a medida. Sem lugar para estacionar, ficaram parados na estrada desde a madrugada.

A medida, cujo objetivo era melhorar o tráfego da cidade, teve reflexos negativos para a economia local. As empresas do polo industrial de Cubatão foram as mais prejudicadas, já que os ônibus com os trabalhadores ficaram parados ao longo da Anchieta. Somente por volta do meio-dia é que a situação começou a se normalizar.

A viagem da capital à Baixada Santista chegou a demorar cinco horas, quando com tráfego normal leva pouco mais de uma hora. A Ecovias fechou uma alça de acesso da Anchieta para a Cônego Domênico Rangoni a partir das 15 horas, obrigando os caminhões a continuarem o trajeto em direção a Santos. No horário da manhã, a Anchieta também foi fechada para a descida. Um comboio de caminhões foi organizado pela concessionária, que autorizava a descida de acordo com a fluidez da estrada. A subida só foi autorizada pela Imigrantes.

Corre-corre. A situação caótica provocou corre-corre entre autoridades portuárias, governo federal e a prefeitura. Com a repercussão negativa do congestionamento, o ministro da Secretaria de Portos (SEP), Leônidas Cristino, convocou uma reunião de emergência para tentar solucionar o problema. De Brasília, ele comandou o encontro em Cubatão, com a presença da prefeita e de representantes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), da concessionária Ecovias e da Secretaria de Assuntos Portuários de Santos.

Diante do caos, o decreto foi suspenso – pelo menos, até terça-feira, quando nova reunião será realizada. "Ontem (terça-feira, 28), discutimos algumas alternativas para reduzir o problema, como a construção de novos pátios reguladores no planalto. Isso ajudaria a reduzir as filas", afirmou o ministro da SEP, Leônidas Cristino. A Codesp também deverá acelerar a implementação do sistema de gerenciamento de cargas dos terminais.

O ministro afirmou também que o governo federal vai trabalhar em parceria com o governo do Estado para planejar obras estruturantes na Baixada Santista. Nesta terça-feira ele se encontrou com o secretário de Logística e Transportes de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, e discutiu acordos para que a Dersa gerencie obras na região.

Segundo o secretário de São Paulo, um dos projetos é o acesso a Santos, que deverá ter a participação do governo do Estado, prefeitura de Santos e governo federal. A obra, calculada em R$ 600 milhões e com prazo entre 18 e 24 meses para ser concluída, tem o objetivo de segregar o transporte de caminhões por tipo de carga. "Há tempos estamos negociando esta parceria, que vai economizar tempo e dinheiro."

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