Restrição cambial na Argentina afeta religiosos que viajam para ver o Papa

Grupos denunciam que os mais de 42 mil peregrinos que viajarão ao Brasil não conseguem comprar dólares nem reais

Marina Guimarães, correspondente da Agência Estado,

18 de julho de 2013 | 14h17

BUENOS AIRES - Os peregrinos argentinos que vão participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, não conseguem comprar dólares nem reais para a viagem. Grupos católicos denunciam que a Administração Federal de Rendas Públicas (Afip), equivalente à Receita Federal, não está autorizando a venda de divisas para os mais de 42 mil jovens que viajarão ao Brasil.

Para reduzir a fuga de divisas e a queda das reservas, o governo vem aplicando medidas de restrições ao câmbio. No ano passado, a partir de março de 2012, a aquisição de divisas estava permitida somente para o turismo, algumas importações e casos específicos solicitados ao Banco Central e à Afip. Porém, depois do verão de 2013, as restrições aumentaram para o turismo, inclusive para os saques e gastos com cartões no exterior.

Com o Papa Francisco, que é argentino e ex-cardeal de Buenos Aires, a Jornada ganhou interesse especial por parte dos fiéis católicos do país. O maior grupo de peregrinos vai viajar nesta sexta e, até o momento, não conseguiu comprar reais para pagar os gastos com comida e alojamento. O caso foi denunciado por diversas organizações católicas e grupos paroquiais.

"Preenchi corretamente o formulário exigido pela Afip para solicitar autorização para a compra de dólares e me negaram várias vezes, até um valor mínimo de 1000 pesos, que dariam somente US$ 183", reclamou Florencia Papagni, em entrevista à emissora de TV TN. O câmbio oficial é cotado a 5,39 pesos (compra) e 5,45 pesos (venda)

Papagni disse que a Afip alegou que ela não pôde comprovar recursos suficientes para a compra. Porém, ela informou que tem salário e toda sua renda foi comprovada. A Agência de Informação Católica Argentina (AICA) informou que a maioria dos fiéis não recebeu autorização para a compra de divisas, apesar de o governo ter declarado a JMJ "de interesse público".

Segundo informou a Pastoral, a declaração tinha o objetivo de facilitar as operações de câmbio para os peregrinos, conforme negociações entre as autoridades da Afip e o núncio apostólico na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, e o delegado da Pastoral da Juventude, monsenhor Raúl Martín. Porém, a medida não chegou a ser publicada e as compras legais de dólares foram permitidas para apenas algumas arquidioceses. A maioria dos fiéis está recorrendo ao mercado paralelo, onde o dólar custa muito mais caro e é operado sob severa vigilância oficial. Hoje a moeda nessas casas era cotada a 8,66 (compra) e 8,75 (venda).

A Casa Rosada ainda não confirmou oficialmente, mas fontes oficiais já indicaram que Cristina Kirchner aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff para participar das solenidades e missas durante a visita do Papa Francisco ao Rio.

Tudo o que sabemos sobre:
papa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.