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Restrição pode se espalhar pelo País

Prefeito de Rio Verde tenta influenciar colegas a aderir à limitação da área da cana e envia lei para 46 cidades

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O setor sucroalcooleiro pode começar a ficar preocupado com a promoção da lei patrocinada pela prefeitura de Rio Verde. O município começou a dar consultoria para outras cidades para mostrar como funciona a lei que impõe limites para as áreas de cana-de-açúcar. No total, 46 municípios já receberam uma cópia da lei ou recepcionaram membros da prefeitura para participar de palestras e debates sobre como frear a cultura canavieira.Somente em São Paulo, a prefeitura de Rio Verde encaminhou cópia da medida para 27 cidades. Entre os municípios está Ribeirão Preto, capital da cana de açúcar e base de grandes grupos sucroalcooleiros do País. Muitas cidades da nova fronteira canavieira do Estado de São Paulo também tiveram acesso ao documento, como Barretos, Bebedouro, Catanduva e Presidente Prudente.Segundo o prefeito de Rio Verde, Paulo Roberto Cunha (PP), esta será a maneira pela qual o município tentará influenciar a discussão sobre a organização agrícola das cidades.VÁCUO LEGALSegundo o supervisor de conservação da ONG ambientalista WWF Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a iniciativa de Rio Verde chamou a atenção porque ocupa um imenso vácuo de legislação do País. "Rio Verde pegou um tema que está totalmente fora do radar das prefeituras e do poder público como um todo. É muito relevante a decisão da cidade em mostrar a disposição de ordenar a paisagem agrícola", aponta Scaramuzza.O próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deu declarações sobre a necessidade premente de se desenvolver um zoneamento agrícola para o País. A falta desse ordenamento deixou, segundo o ambientalista, a organização da produção agrícola nas mãos do mercado, da evolução ou involução de um determinado produto."Não é por acaso que a agricultura enfrenta ciclos de alta e de baixa. Isso é conseqüência direta da falta de organização da produção. Sem isso, não há como frear os ciclos de euforia que invariavelmente provocam períodos de forte depressão", pondera Scaramuzza.A novidade na lei de Rio Verde é exatamente essa: criar um modelo econômico sem hegemonias. Desde que a lei foi aprovada, em dezembro do ano passado, Rio Verde já aprovou a implantação de 15 mil hectares de cana-de-açúcar para abastecer a única usina local, a Decal, uma ex-produtora de cachaça que produzirá álcool combustível.Segundo o prefeito, existe um segundo projeto de mais 20 mil hectares em curso. Cunha avalia que, em projetos médios, será possível ter até três usinas em Rio Verde.

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