Restrições à aquisição de dólar completam 3 anos na Argentina

Medidas para limitar aliberdade de compra da moeda trouxeram de volta o mercado paralelo, desaparecido em 1991

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h07

Hoje completam-se três anos do início das restrições que a Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip) aplicou aos argentinos para a compra de dólares. Nessa data as autoridades obrigaram os contribuintes a conseguir a autorização do Fisco para a aquisição da dívida americana, tradicional refúgio financeiro dos argentinos. Com isso, o governo da presidente Cristina Kirchner, assolado pelo crescimento do déficit fiscal, recorreu às restrições para usá-las como um torniquete para deter a fuga de divisas.

Mas as medidas da Casa Rosada para limitar a liberdade que os argentinos tinham em décadas anteriores para a compra de dólares provocaram de forma imediata o ressurgimento do mercado paralelo de dólares, desaparecido desde 1991.

Ao longo deste período as restrições, chamadas ironicamente de "corralito verde" pelos argentinos, também provocaram a drenagem de reservas do banco central. Desde 2011 as reservas tiveram uma queda de US$ 20,2 bilhões, equivalente a uma perda de 42,5% do volume que tinha há três anos. Parte substancial desses fundos foram usados para a guerra cambial de Cristina em sua cruzada antidólar. As reservas do banco central estão hoje em US$ 27,383 bilhões, o equivalente à uma redução de US$ 3,21 bilhões desde janeiro. No início das restrições o dólar oficial era cotado em 4,28 pesos. Mas, depois de três anos do início das restrições, a cotação está atualmente está em 8,55 pesos.

A cotação paralela do dólar, que começou em outubro de 2011 em 4,49 pesos atualmente está em 14,68 pesos. O governo também limitou as remessas de imigrantes residentes na Argentina e restringiu o envio de lucros das filiais instaladas no país às matrizes. Sem poder enviar os dólares para fora as empresas reinvestiram o dinheiro no país, fato que manteve durante boa parte deste tempo um aumento dos investimentos.

Investimentos. Mas, desde o final de 2013 diversas empresas começaram a fechar as portas e deixar o país. Segundo a Cepal, os investimentos estrangeiros diretos caíram 27% no 1º semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2013.

Sem acesso à divisas, os importadores argentinos devem atualmente US$ 5 bilhões a seus fornecedores no exterior. "As restrições sobre os dólares produzem escassez da divisa e isso impacta na atividade produtiva, já que as empresas estão tendo que dar férias coletivas a seus operários porque não conseguem importar insumos para produzir, fato que aprofunda a recessão", sustenta Mariano Lamothe, da consultoria Abeceb.

Sem o "corralito verde", afirma a consultoria Economía & Regiones, a Argentina teria em 2014 um superávit comercial de US$ 12 bilhões, 110% maior ante ao total estimado para este ano.

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