Resultado confirma retomada, mas incerteza aumenta

Já se esperava um aumento da incerteza em função do período eleitoral, mas mudanças recentes no cenário internacional criaram um ambiente externo menos favorável, com impactos imediatos sobre o câmbio

José Ronaldo de C. Souza Jr.*, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 22h06

Os dados do IBGE confirmam o que os indicadores mensais já mostravam, que a retomada do crescimento continuou no 1.º trimestre, porém num ritmo mais lento do que se esperava no fim do ano passado. Os fatores que contribuíram positivamente foram o crescimento do consumo de bens duráveis e dos investimentos em máquinas e equipamentos, ambos impulsionados por taxa de juros baixa para os padrões brasileiros.

A taxa básica de juros caiu de 14,25%, em agosto de 2016, para 6,50%, em março deste ano. Queda expressiva, cujos efeitos foram parcialmente sentidos na economia. A recuperação do crédito à pessoa física já está ocorrendo, mas tende a se intensificar. Para pessoa jurídica, por sua vez, ainda não mostrou recuperação mais intensa devido à redução do crédito direcionado.

Para os próximos trimestres, já se esperava um aumento da incerteza em função do período eleitoral. Entretanto, as mudanças recentes no cenário internacional criaram um ambiente externo menos favorável para as economias emergentes, com impactos imediatos sobre a taxa de câmbio. Apesar disso, como as contas externas brasileiras apresentam situação confortável, os maiores riscos são as questões internas. O País tem um déficit fiscal estrutural, que, para ser menor, necessita de reformas que reduzam o ritmo de crescimento das despesas públicas.

A greve dos caminhoneiros adiciona novo componente de incerteza. O Orçamento, jáengessado, passa a ter de atender a novas demandas. Além disso, ainda é cedo para se mensurar os efetivos impactos do movimento sobre o nível de atividade. O fato é que dias úteis foram perdidos e que as restrições à movimentação de cargas (e seus efeitos negativos nas cadeias produtivas) têm impacto no PIB. Além disso, a confiança de empresários e consumidores também pode ser afetada, reduzindo os efeitos potenciais da política monetária sobre investimento e consumo.

*É DIRETOR DE ESTUDOS E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS DO IPEA

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