Resultado das contas externas do País fica abaixo do esperado

As contas externas brasileiras apresentaram em junho um superávit de US$ 614 milhões. Apesar de positivo, o resultado é a metade do alcançado no mesmo mês do ano passado quando a conta de transações correntes foi superavitária em US$ 1,285 bilhão. O número também ficou abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que esperavam superávit entre US$ 1,2 bilhão e US$ 2,2 bilhões.De acordo com o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Luiz Malan, o resultado de junho ficou abaixo da previsão de superávit por conta da aceleração das remessas de lucros e dividendos no fim do mes passado. Malan disse, no entanto, que essa aceleração é normal e que não há motivo para preocupação. Ele informou também que, em julho, está havendo um aumento dos investimentos estrangeiros diretos. No mês, até hoje, esses investimentos estão em US$ 1,2 bilhão, e a previsão de Malan é que subam para US$ 1,5 bilhão.O resultado das transações correntes é formado pela balança comercial (exportações - importações), a balança de serviços (Fretes pagos e recebidos de navios estrangeiros, juros de empréstimos estrangeiros, lucros remetidos e recebidos do exterior, etc.) e as transferências unilaterais (donativos).Esta conta, juntamente com a balança de capitais (capital das firmas estrangeiras que ingressam no País, o capital estrangeiro que ingressa sob a forma de empréstimos, os empréstimos do FMI) formam o balanço de pagamentos.Resultados acumuladosNo período de doze meses encerrado em junho, o superávit em transações correntes é de US$ 3,087 bilhões, o equivalente a 0,69% do PIB. No primeiro semestre do ano passado, o superávit em transações correntes estava em US$ 5,259 bilhões, o equivalente a 1,34% do PIB.No período de doze meses encerrado em junho, o superávit de transações correntes caiu para US$ 12,021 bilhões (1,41% do PIB). Em maio, o superávit acumulado em doze meses estava em US$ 12,693 bilhões (1,51% do PIB).A expectativa de Malan é de que as contas externas brasileiras fechem o mês de julho com superávit na conta de transações correntes de US$ 2,4 bilhões. Segundo ele, essa melhora em relação a junho (US$ 614 milhões) refletirá o resultado positivo da balança comercial, numa reversão da trajetória de aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior.Remessas ao exterior e pagamento de jurosAs remessas líquidas de lucros e dividendos do Brasil para o exterior somaram no mês passado US$ 1,629 bilhão, mantendo a trajetória de crescimento verificada ao longo do ano. Esse valor é resultado de uma saída de US$ 2,048 bilhões e entrada de US$ 419 milhões. No mesmo mês do ano passado, as remessas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$ 1,047 bilhão.Já as despesas líquidas com pagamento de juros somaram em junho US$ 1,206 bilhão ante US$ 1,025 bilhão no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, as despesas com juros externos estão em US$ 5,809 bilhões. No mesmo período do ano passado essas despesas foram de US$ 6,543 bilhões.Dívida externaA dívida externa total do Brasil ficou em US$ 157,7 bilhões no fechamento do segundo trimestre, US$ 9 bilhões a menos que nos três meses anteriores, informou o BC. Segundo o documento, a redução em junho, comparada aos números de maio, foi de US$ 3 bilhões, basicamente em títulos da dívida a longo e médio prazo, o que em geral mostra melhoras nas contas externas. Deste total, o saldo pagável a médio e longo prazo fechou em US$ 140,2 bilhões no mês de junho.As principais variações no saldo da dívida externa brasileira no mês passado se devem à recompra de bônus do Tesouro e ao resgate de títulos externos a valor nominal. Outro fator que influenciou na balança foi um empréstimo de US$ 490 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No setor privado, foi determinante a emissão líquida de US$ 1,6 bilhão em papéis de empresas.Reservas internacionaisO saldo das reservas internacionais no mês passado foi de US$ 62,7 bilhões, US$ 710 milhões a menos do que o registrado em maio, mas com um aumento significativo sobre o total de US$ 53,8 bilhões anunciado em 2 de janeiro.

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