BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Resultado do Caged em agosto está aquém da média para o mês, diz economista

Para Rafael Leão, da consultoria Parallaxis, dados positivos sobre demanda à indústria no primeiro semestre justificam as 23 mil vagas geradas pelo setor

Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 18h47

As contratações pela indústria de transformação no mês de agosto chamam a atenção positivamente, apesar de o saldo líquido geral para o oitavo mês do ano ficar aquém da média para o período, explica o economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão. Ele se refere aos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apresentados nesta quinta-feira, 21. "A indústria voltar a contratar é um fator importante, pois vinha demitindo muitos funcionários e contraindo rotineiramente a quantidade de postos de trabalho", diz.

Para o economista, os dados positivos sobre demanda no primeiro semestre justificam o saldo do setor em agosto, de pouco mais de 23 mil vagas geradas. "Com expectativa de demanda, o empresário volta a contratar mão de obra e serviços e a ocupar capacidade ociosa", afirma Leão.

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Apesar disso, o profissional avalia o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e de criação de vagas como lento. "O ritmo é muito baixo nos padrões sazonais. Confere um andar da caranguejo à economia, insuficiente para a taxa de desemprego começar a recuar", comenta o economista-chefe da Parallaxis, para quem os dados vieram em linha com o nível de atividade. 

"Falta um Caged (com resultado) mais robusto para pontuar uma recuperação mais evidente do mercado de trabalho", afirma. Neste contexto, Leão aponta que o governo tem está com um discurso muito otimista.

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Diante do ritmo moderado de crescimento dos postos de trabalho e da economia, Leão entende que 2017 pode terminar com saldo líquido negativo de postos de trabalho. Ele projeta que sejam fechadas cerca de 348 mil vagas no ano. "Para empatar, é preciso que os três próximos meses (setembro, outubro e novembro) tenham um resultado muito forte, já que dezembro tem um patamar de demissões de 400 mil vagas", diz o economista.

Segundo suas projeções, o saldo líquido de setembro deve ficar positivo em 39 mil postos, enquanto outubro deve registrar criação de 14 mil vagas. A partir de novembro, entretanto, a expectativa do analista é de fechamento de vagas. "Projeto um corte de cerca de 15 mil vagas no penúltimo mês do ano. Para dezembro, o corte deve chegar a 414 mil postos de trabalho", aponta o especialista.

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