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Resultado do leilão de Libra reforçou presença de europeias

A anglo-holandesa Shell e a francesa Total garantiram 20% de participação cada uma

Wellington Bahnemann, Sabrina Valle e Mónica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h11

RIO - Apesar da falta de competição no leilão de Libra, a forte presença das petrolíferas europeias chamou a atenção no resultado final da concorrência. Shell e Total garantiram, cada uma, 20% de participação no consórcio, que até então tinha como protagonistas as chinesas CNPC e CNOOC, que acabaram ficando com 10% cada.

Anunciado o fim do leilão, o semblante dos executivos das empresas europeias refletia a vitória. "Estamos bem felizes", resumiu o diretor-geral da Total E&P do Brasil, Denis Besset, em conversa com jornalistas. O ingresso no campo de Libra coloca o Brasil definitivamente na rota da Total e reforça o País como estratégico no crescimento da companhia francesa.

 

O diretor-presidente da Shell no Brasil, André Araújo, também afirmou estar "bem satisfeito" com a aquisição de uma participação do campo do pré-sal da Bacia de Santos.

A partir de agora, as petroleiras europeias iniciarão as discussões com a Petrobrás e os sócios chineses para definir o plano de exploratório do campo de Libra, o que permitirá conhecer melhor as características geológicas da área e fornecerá valiosas informações para o desenvolvimento da produção. "Amanhã de manhã já vamos começar a trabalhar para desenvolver o campo de Libra o mais rapidamente", assegurou Besset.

Com o plano exploratório, Araújo explicou que o consórcio vai saber quando será alcançado o pico de produção de Libra e se o campo tem realmente as reservas recuperáveis de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de óleo e gás estimados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). "Entendemos que esse é o número da ANP. Vamos trabalhar com a exploração mínima, e a exploração mínima vai definir a melhor área", afirmou.

Desafio técnico. Besset disse que o grande desafio do campo de Libra é técnico, mas se mostrou confiante de que as dificuldades serão superadas. "Não poderíamos imaginar tanta expertise técnica dentro de um consórcio", afirmou. O diretor da Total revelou que o grupo foi fechado logo após a publicação do edital, em setembro. "Temos ótima relação com a Shell e com a Petrobrás", assegurou.

O bom relacionamento, no entanto, não deverá trazer nenhum benefício financeiro para as partes envolvidas. Araújo, da Shell, afirmou que não há nenhum tipo de acordo para que uma empresa financie a outra dentro do consórcio ou que as empresas chinesas entrem com os investimentos e sejam pagas com barris de petróleo. "Não há nenhum acordo. Cada empresa irá financiar a sua parte do projeto", disse.

Já a importância reduzida que os chineses deram ao leilão teve espelho no comportamento de seus representantes. Não houve comitiva, por exemplo. A CNPC, maior petroleira da China, mandou apenas um representante, o vice-presidente Song Yiwu, assim como a CNOOC, com Xei Ming.

Os dois chegaram ao Brasil no domingo à tarde e passaram a manhã de ontem perambulando pelo hotel com roupa de passeio, enquanto todos os executivos tinham reuniões privadas nos quartos. Ambos deixaram o local sem falar com a imprensa.

Agora, as duas empresas correm contra o tempo para regularizar a situação no Brasil. As duas chinesas não possuem pessoa jurídica no País, e o edital do leilão exige que as empresas tenham CNPJ no Brasil para a assinatura do contrato de partilha. Como esse processo pode levar até dois meses, há quem veja no mercado que isso possa atrasar o pagamento do bônus de assinatura de R$ 15 bilhões, previsto para ocorrer em novembro.

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