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'Resultado do mercado de trabalho é surpreendente'

Para economista, criação de emprego no País permanece forte e representa principal risco inflacionário hoje

Entrevista com

FERNANDO DANTAS /RIO, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h04

O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, e hoje à frente da consultoria Schwartsman & Associados, avalia que o mercado de trabalho ainda aquecido pode refletir o fato de que as empresas consideram a desaceleração econômica transitória. Ele vê no mercado de trabalho a principal fonte de pressão inflacionária hoje.

O que o sr. achou dos dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) de novembro?

Mostrou o mercado de trabalho ainda forte. Na comparação com 2010, teve uma leve subida em relação aos últimos meses. O crescimento do emprego, novembro contra novembro, foi de 1,9%. E foi de 1,5% em outubro, e de 1,7% em setembro. Na comparação com os últimos meses, portanto, voltou para um número mais perto de 2%.

Mas o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) não mostra um mercado de trabalho em desaceleração?

É difícil fazer essa comparação com o Caged. Historicamente, no Caged, a gente vê quedas de emprego em dezembro. Geralmente, é o mês que tem o menor desemprego na PME. Porque se medem coisas diferentes. O Caged vê o registro. No fim do mês, tem muita gente que foi empregada para dezembro e é desligada, o que causa uma queda no emprego formal. O IBGE pergunta se a pessoa trabalhou no mês anterior, e de fato ela trabalhou. Mas, mesmo levando em conta que há diferenças no que é medido, ainda acho que o resultado da PME é surpreendente, comparado com o Caged.

Há outras explicações para esse contraste?

Tem um aspecto que ainda estou analisando. O Caged acompanha o emprego formal, a geração. Supondo que o conjunto de pessoas empregáveis tenha se esgotado, para você contratar alguém, ele tem de sair de outro emprego. Nesse caso, a geração líquida é zero. Então uma situação possível é que não se gere mais emprego por falta de oferta. E tem a situação em que a economia está fraca e não se gera emprego porque não há demanda por trabalho.

E qual é a restrição hoje?

A gente resolve isso olhando para os preços. Com falta de demanda, os salários caem, e vice-versa. Os números não são definitivos, mas o salário de admissão do Caged segue subindo, acelerando nos últimos meses, com alta de 10% a 11% ante os mesmos meses do ano anterior. Não é uma conclusão definitiva, longe disso, é bastante preliminar, mas parece que há mais falta de oferta do que de demanda no mercado de trabalho.

Como o sr. vê o risco inflacionário com esse mercado de trabalho?

É o que está no Relatório de Inflação do Banco Central. O mercado de trabalho é a principal fonte de preocupação inflacionária atual. Não é à toa que a inflação de serviços está praticamente em 9%. Essa inflação de serviços reflete essencialmente o mercado de trabalho. Mesmo com a desaceleração da economia, não parece ter acontecido uma desaceleração comparável do emprego.

Não há uma defasagem?

Sim, há. A gente teve um crescimento nulo da economia no terceiro trimestre, e esses impactos no mercado de trabalho deveriam acontecer agora, ou no primeiro trimestre. Mas não parece que esteja acontecendo. Talvez as empresas vejam essa desaceleração como transitória, e não estejam demitindo tanto, nem deixando de contratar. E o mercado de trabalho é o principal sinal de hiato de produto apertado (economia aquecida).

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