ED FERREIRA/ESTADÃO
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Resultado do PIB de 2014 confirma pausa no crescimento econômico, diz Tombini

Presidente do BC afirmou que os ajustes econômicos tendem a construir bases mais sólidas para retomada do crescimento

Victor Martins, Agência Estado

27 de março de 2015 | 13h40


BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou uma nota nesta sexta-feira, 27, com comentários acerca do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, que apresentou crescimento de apenas 0,1%. Na nota, ele afirmou que o resultado confirmou a pausa no crescimento econômico.

Ele ponderou, no entanto, que as revisões metodológicas do IBGE foram positivas. "A revisão das estatísticas decorrente de aprimoramentos metodológicos incorporados pelo IBGE revelou um quadro de maior expansão da atividade econômica desde 2012, como já evidenciado para 2011, de participação mais elevada do investimento na economia e de melhores indicadores de solvência do País", disse o presidente.

Ainda segundo Tombini, "numa visão prospectiva", apesar da evolução desfavorável da atividade no curto prazo, os ajustes macroeconômicos em curso tendem a construir bases mais sólidas para a retomada da confiança e do crescimento econômico.

Ontem, o Banco Central divulgou estimativa de queda de 0,5% no PIB em 2015 


A desaceleração foi generalizada em 2014, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. "Em 2014, todas as atividades econômicas tiveram taxa de crescimento menor do que em 2013, com exceção da indústria extrativa", afirmou Rebeca. Segundo o IBGE, a indústria extrativa mineral avançou 8,7% no ano passado, o maior crescimento entre as 12 atividades. O segmento pesa 4% no valor adicionado total da economia.

A estagnação da economia em 2014 trouxe uma série de recordes negativos. Os investimentos recuaram 4,4% no ano passado, a maior queda desde 1999. Em 2013, haviam avançado 6,1%. Segundo o IBGE, a queda dos investimentos foi o que travou o crescimento da economia.

A indústria também puxou o desempenho para baixo e recuou 1,2% no ano passado - número superado apenas pelo resultado negativo de 2009, quando desabou 4,8%. Ainda entre os setores, a agricultura avançou 0,4% e o setor de serviços subiu 0,7%, o menor resultado desde 1996.

o consumo das famílias, um dos motores da economia nos anos recentes, sofreu forte desaceleração e saiu de uma alta de 2,9% em 2013 para avanço de 0,9% no ano passado - o menor desempenho desde 2003, quando encolheu 0,7%. Segundo Rebeca Palis, do IBGE, o freio no crédito afetou o consumo das famílias.

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