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Resultado do superávit do setor público preocupa, diz analista

Segundo Raul Velloso, especialista em contas públicas, piora fiscal pode afastar investimento estrangeiro no País

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

30 de outubro de 2009 | 14h31

O resultado fiscal do setor público "ficou muito pior de uma hora para outra" e é "inteiramente imprevisível quando vai se recuperar", disse à Agência Estado o especialista em contas públicas Raul Velloso. "Acho que o governo tinha a esperança de que a crise não derrubasse a arrecadação como derrubou. A arrecadação caiu mais que a produção industrial. Por isso, esse mal estar", afirmou. De acordo com Velloso, o superávit primário do setor público abaixo de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) "é um sinalizador de problema". Esta manhã, o Banco Central divulgou que o superávit primário do setor público nos 12 meses até setembro ficou em 1,17% do PIB.

 

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O motivo pelo qual o superávit primário abaixo de 1,5% do PIB preocupa é que com menos que 1,5% do PIB a dívida líquida do setor público deve subir. O BC informou esta manhã que a dívida líquida do setor público subiu de 44% em agosto para 44,9% em setembro. Em dezembro, a dívida líquida era de 38,8% do PIB. Se essa tendência de alta continuar, isso pode vir a afastar investidores estrangeiros, segundo Velloso. "Se os estrangeiros acharem que o Brasil está piorando muito na parte fiscal, vão embora", afirmou.

 

"Os estrangeiro estão investindo aqui porque o Brasil está crescendo mais que a média do mundo e parece que está tudo bem na parte fiscal, mas se os Estados Unidos melhorarem na atividade econômica e o Brasil piorar no quadro fiscal, os capitais estrangeiros vão embora. E o dólar vai subir aqui", disse Velloso.

 

Para o especialista, a dedução de parte dos gastos no Projeto Piloto de Investimento (PPI) para aumentar o superávit primário, o que é permitido, não fará na prática diferença na análise do mercado. "Ninguém vai levar isso em conta. Todo mundo vai olhar o número sem PPI, que é o que interessa, e aí não há dúvida de que piorou".

 

O economista comentou que o governo ainda prorrogou a redução do IPI para eletrodomésticos da linha branca com baixo consumo de energia elétrica. Para ele, não é possível avaliar se o governo errou ao conceder incentivos fiscais para estimular a economia porque é preciso considerar o resultado da atividade econômica. Mas pela abordagem fiscal, "a única coisa certa era o crescimento do gasto". Velloso considera que a despesa do setor público é muito rígida, difícil de cortar. "E tem eleição no ano que vem, então, a situação, é preocupante", disse, lembrando que normalmente os gastos do governo aumentam em ano de eleição.

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