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Resultado é questionado

Para analistas, economia está em retração

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Os números que apontaram um crescimento de 6% nas vendas do comércio em janeiro na comparação com igual período de 2008 surpreenderam os economistas. Uns argumentam que, apesar da alta, a pesquisa do IBGE mostra a retração contínua das vendas, num claro efeito da crise econômica global.Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, lembra que o volume de vendas tem diminuído desde meados de 2008. "De lá para cá o que se vê é uma gradativa perda de sustentação, um encolhimento gradativo no comércio", explica.O volume de vendas até agosto vinha crescendo a uma taxa média de 9% ao mês e só piorou até janeiro. Em dezembro a situação se agravou. O crescimento foi de 3,8%. Ainda de acordo com o economista, as vendas nos supermercados foram responsáveis em boa parte pelo desempenho do comércio no primeiro mês do ano. A alta foi de 6,7%. Já os produtos semiduráveis, duráveis e combustíveis foram os que mais caíram.O economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, lembra que a redução dos depósitos compulsórios pelo Banco Central e a diminuição do Imposto sobre Produtos Industrializados para os carros ajudaram a manter as vendas do comércio. "Só com o compulsório foram mais R$ 100 bilhões injetados na economia", afirma.De acordo com Lintz, a quantidade atípica de promoções em janeiro contribuiu para que as vendas fechassem em alta. "Mas nem por isso houve uma reversão na tendência de queda", diz.Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo, não concorda com os números do IBGE. "O Brasil foi atingido pela crise. A queda no Produto Interno Bruto mostra isso. Mesmo com as liquidações nem todo mundo está comprando. Os prazos encurtaram e os índices de confiança do consumidor caíram", opina.Para Fábio Pina, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), o crescimento das vendas foi acima da expectativa da entidade. Segundo ele, em janeiro as vendas apuradas pela Fecomércio caíram 3,8% ante janeiro de 2008.

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