Resultado foi o melhor dos meses de outubro desde 1991, diz BC

O resultado primário alcançado pelo setor público no mês passado foi o melhor já apurado pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central para meses de outubro desde 1991. A informação é do chefe adjunto do Depec, Luiz Malan. "Foi um resultado expressivo", disse Malan, ao comentar o superávit primário de R$ 6,958 bilhões obtidos pelo setor público em outubro. O resultado das empresas estatais estaduais no mês passado também foi o melhor para meses de outubro desde o início da série histórica do BC (R$ 1,071 bilhão). De acordo com os dados divulgados hoje, o governo federal conseguiu registrar em outubro um superávit nominal no valor de R$ 985 milhões. Segundo Malan, esse resultado reflete o forte superávit primário obtido no período e a redução no volume de pagamento de juros. Em setembro, o governo federal apropriou-se de R$ 8,453 bilhões para o pagamento de juros da dívida. Esse valor em outubro caiu para 3,739 bilhões. A valorização do real frente ao dólar e a queda da taxa Selic são os fatores que contribuíram para essa queda na apropriação de juros de um mês para o outro. No acumulado em 12 meses, também houve uma queda no volume de dinheiro apartado para o pagamento de juros. Segundo Malan, a tendência é de manutenção desse movimento. "Tivemos consideráveis reduções dos déficits nominais mensais desde julho, graças a essa tendência de superávits primários expressivos aliado a uma menor apropriação de juros", disse Malan. Agora em novembro, a Selic acumulada em 12 meses deverá registrar sua primeira queda no período. Em outubro, a taxa estava em 24,04% e cairá para 23,79% este mês. Essa queda terá um efeito positivo sobre o pagamento de juros pelo setor público. Meta fiscal é perfeitamente factívelO chefe-ajunto do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que a relação da dívida líquida do setor público com o PIB deve subir em novembro para 57,7%. Segundo Malan, o cálculo ainda é preliminar e considera os efeitos da taxa Selic e da depreciação do câmbio verificada até agora sobre o montante da dívida. Malan explicou ainda que os dados divulgados esta semana pelo IBGE com relação ao PIB do terceiro trimestre não terão impacto significativo na relação dívida/PIB. Segundo ele, o Depec usa para efeito de cálculo dessa relação a projeção oficial do BC para o crescimento do PIB em 2003, que é de 0,6%. Malan comentou ainda que o superávit primário acumulado pelo setor público de janeiro a outubro (R$ 64,035 bilhões) mostra que será perfeitamente factível o cumprimento da meta fiscal de 2003, que é um superávit de 4,25% do PIB, o que em termos nominais significa R$ 66 bilhões. Luiz Malan é irmão do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan. Para ler sobre os números do setor público no mês de outubro, clique aqui.

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