Resultado melhora, mas ainda é considerado fraco

Apesar de reconhecerem que ''já esteve pior'', números do Caged são recebidos com cautela por economistas

Fernando Dantas e Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Os resultados do Caged de maio, divulgados ontem pelo governo, foram recebidos com cautela por diversos economistas, apesar de os números apontarem um saldo positivo de 131.557 postos formais de trabalho no mês passado."Os números são melhores do que os de abril, mas ainda estão muito fracos", disse José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos. Camargo observou que a média para maio é de criação líquida de 193 mil postos nos dados do Caged.Em 2009, foram criados apenas 180.011 postos de trabalho, menos do que os 202 mil apenas em maio de 2008 (nos cinco primeiros meses do ano passado, o aumento líquido dos empregos formais foi de 1,052 milhão). Em 12 meses até maio, o crescimento foi de 580.269 postos, o que se compara, por exemplo, com o avanço de 2,7 milhões nos 12 meses até setembro de 2008.O saldo de maio, descontado das variações sazonais, varia entre as instituições, de acordo com a metodologia de dessazonalização. Na Opus, ele foi praticamente zero, mas, para o Banco Fator, houve criação líquida de 24.530 postos de trabalho, em termos dessazonalizados.José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Fator, observa que os saldos positivos do Caged estão ligados à recuperação dos serviços, agropecuária, construção civil e parte do comércio, setores que normalmente contratam nessa época do ano. "Não dá para ver uma reversão completa da situação do mercado de trabalho, que continua muito fraco." Para Hélio Zylbersztajn, economista da Universidade de São Paulo (USP), a indústria ainda vai demorar a contratar, por causa da ociosidade em muitos setores. "Num primeiro momento, haverá uma retomada das horas trabalhadas e horas extras; depois disso, se a demanda continuar aquecida, as indústrias vão contratar." O lado positivo dos números divulgados ontem é que houve uma indiscutível melhora em relação aos piores momentos da crise. "Não há a menor dúvida de que já esteve pior", diz Camargo.A divisão entre os economistas é justamente na interpretação dessa melhora. A questão principal é saber se ela será suficientemente rápida para evitar que a perda de renda afete o consumo, que se manteve muito bem durante quase toda a crise, compensando a drástica queda dos investimentos e das exportações. O economista da PUC-Rio, por exemplo, tem dúvidas quanto a esse ponto, e ficaria mais confortável com uma recuperação mais rápida.Já Zeina Latif, economista-chefe do ING no Brasil, acha que a importância do resultado de maio é de que "se parou de demitir, até já fomos para o campo positivo pelo padrão sazonal, e o movimento está mais disseminado entre os setores". Para Zeina, não seria realista esperar que, passado o pior momento da crise, a contratação líquida voltasse imediatamente para o padrão dos anos anteriores, num momento em que ainda há capacidade ociosa na economia.Porém, ela é firme em dizer que "enfraqueceu o cenário de um mercado de trabalho ainda com uma rodada de piora, e lá na frente afetaria o varejo por causa da queda na renda". A economista acha que o último resultado do Caged reforça o cenário de uma recuperação em "V" da economia no Brasil, em que a queda é seguida por uma recuperação firme.

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