Clayton de Souza/Estadão
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Resultado negativo do varejo é reflexo do mercado de trabalho fraco, diz IBGE

Segundo a gerente do Instituto, Isabella Nunes, o consumo está ligado a expectativas e uma queda do nível de emprego faz a confiança do consumidor diminuir

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 10h37

RIO - A desaceleração do mercado de trabalho é o principal fator negativo que impacta as vendas no varejo, afirmou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, mesmo setores que vinham se mantendo no positivo mostram perda de ritmo nos últimos meses.

"Você tem uma perda de ritmo ao longo do ano, acompanhando a evolução do quadro conjuntural", afirmou Isabella. "O grande peso negativo é o enfraquecimento do mercado de trabalho."

taxa de desemprego de agosto medida nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,6%, a maior para o mês desde 2009, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, também do IBGE. Além disso, houve redução de 5,4% na massa real de salários em relação a agosto de 2014 e encolhimento no contingente de trabalhadores com carteira assinada. A inflação elevada também pressiona as vendas para baixo, notou Isabella.

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'O consumo está ligado a expectativas futuras' - Isabella Nunes, gerente do IBGE
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"O consumo está ligado a expectativas futuras. Tem redução de trabalhadores com carteira assinada, que é um emprego mais seguro, isso tem impacto. Os níveis de confiança do consumidor estão na mínima histórica", lembrou a gerente.

O resultado é que o varejo já acumula quedas de 3% no ano até agosto e de 1,5% nos últimos 12 meses, com cinco dos oito segmentos no negativo. Mas mesmo os setores que ainda estão no positivo mostram resultados cada vez menores. É o caso de artigos farmacêuticos e de perfumaria, que crescia 10,2% em 12 meses até agosto de 2014. Agora, a alta está em 5,6% em 12 meses até agosto deste ano. 

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