Resultado operacional e dívida menor impulsionam ação da Braskem

A consolidação da Braskem como virtualmente única petroquímica do Brasil e suas estratégias de redução do endividamento, aliadas ao bom desempenho operacional, têm impulsionado as ações da empresa.

CAROLINA MARCONDES, REUTERS

27 de agosto de 2010 | 17h52

A performance na Bovespa da Braskem, alçada ao posto de maior petroquímica das Américas após a aquisição da Quattor, tem chamado a atenção de profissionais do mercado.

No acumulado de agosto até o dia 27, as ações preferenciais da companhia acumulam ganho superior a 19 por cento, enquanto o Ibovespa tem variação negativa de quase 3 por cento. No intervalo de três meses, a valorização da Braskem é de quase 56 por cento, contra avanço de 9 por cento do principal índice de ações brasileiras.

"A Braskem realmente conseguiu um nível de retorno financeiro no segundo trimestre impressionante", afirmou o analista Gustavo Gattass, do BTG Pactual, referindo-se ao resultado operacional combinado de Braskem e Quattor.

Entre abril e junho, a petroquímica teve lucro operacional de 676 milhões de reais, alta de 62 por cento ante o mesmo período de 2009 e revertendo a perda de 125 milhões nos primeiros três meses deste ano.

Para o analista Victor de Figueiredo, da Planner Corretora, as ações da Braskem estavam bastante depreciadas alguns meses atrás, principalmente por conta da subscrição privada de ações da companhia, que não contou com adesão dos acionistas minoritários.

O plano do aumento de capital de no mínimo 3,5 bilhões de reais foi revelado em 22 de janeiro para reforçar a estrutura de capital e manter a flexibilidade financeira do grupo, no mesmo dia em que a Braskem anunciou acordo para incorporar a rival Quattor. Ao todo, a Braskem captou 3,74 bilhões de reais.

"Com os minoritários fora (do aumento de capital), eles foram diluídos e houve naturalmente um desinteresse pelas ações da Braskem", disse Figueiredo.

O analista da Planner também destacou que o medo de ciclo de baixa do setor petroquímico maior do que se esperava também levou o preço das ações da empresa para baixo.

"Mas, no segundo trimestre, a companhia apresentou bons resultados operacionais, que tinham a ver com as operações antigas e, para surpresa do mercado, também já vieram da Quattor. O mercado começou a olhar a Braskem de outra maneira", afirmou Figueiredo, destacando ainda o esforço da companhia em reduzir o endividamento.

Em abril, a Braskem antecipou o pagamento de dívidas originadas na Quattor de 4,1 bilhões de reais.

No fim do segundo trimestre, a dívida bruta era de quase 8 bilhões de dólares, queda de 17 por cento ante o primeiro trimestre. A dívida líquida caiu 19 por cento contra março, para 6,1 bilhões de dólares. O prazo médio do endividamento consolidado subiu de 6,6 anos para 8,2 anos.

Em junho, a dívida líquida em dólares representava 2,8 vezes a geração de caixa medida pelo Ebitda anualizado, um pouco acima de antes da compra da Quattor e também da norte-americana Sunoco, por 350 milhões de dólares, esta última no começo de fevereiro. No primeiro trimestre, porém, a relação entre dívida em dólares e Ebitda era de 3,2 vezes.

CORRETORAS MAIS OTIMISTAS

Nesta sexta-feira, a área de pesquisa do Banco Espírito Santo (BES) passou a recomendar "compra" das ações da Braskem, com preço-alvo de 17,70 reais para o final de 2010.

O analista Gilberto Pereira de Souza, do BES, mencionou alguns atrasos de entradas de capacidades de resinas plásticas e do fechamento de fábricas na Europa e nos Estados Unidos, que enfraqueceram o ciclo de baixa nas margens das petroquímicas.

Na terça-feira, o Itaú Securities elevou o valor justo para a ação da Braskem em dezembro de 2011 para 20,20 reais, ante 17,70 reais. O Itaú aumentou sua projeção de sinergias pela união de Braskem e Quattor em 15 por cento, para 2,3 bilhões de reais a valor líquido presente.

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