Resultado reforça cautela do BC no juro, dizem analistas

Bancos revisam projeções de crescimento, mas vêem pressão inflacionária

Ricardo Leopoldo, Francisco Carlos de Assis, Patricia Lara e Vinícius Pinheiro, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O ex-diretor do Banco Central e atual economista-chefe para a América Latina do banco ABN-Amro, Alexandre Schwartsman, afirmou que os dados relativos ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, que subiu 5,7% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2006, levaram a instituição a rever a projeção do crescimento do País para este ano de 4,5% para 5,2%. Segundo ele, a alta do PIB deve provocar alguma revisão para cima das estimativas relativas à inflação oficial pelo ABN-Amro, que por enquanto indicam alta de 4,2% em 2007 e 4,3% em 2008. "A intensa expansão do PIB mostra que o nível de atividade está bem forte, o que torna cada vez mais difícil a gestão da política monetária para o próximo ano."Para Schwartsman, fatos como a expansão da produção industrial de outubro, que subiu 2,8% ante setembro e 10,3% em comparação ao mesmo mês de 2006, o aumento do PIB no terceiro trimestre e os últimos dados de inflação ao consumidor só reforçam sua avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve reduzir os juros em 2008 e eleva as possibilidades de elevá-los em algum momento no próximo ano. Schwartsman ressalta que a ata da última reunião do ano do Copom, que será divulgada hoje, deve ser mais dura do que as anteriores, e entre outros temas deve destacar a elevação recorde do nível de utilização da capacidade instalada das indústrias apurada pela CNI em outubro, que atingiu 82,8%, o maior nível da série histórica. O BC, segundo ele, também deve sinalizar que está atento à evolução de indicadores de inflação, como o IGP-DI, que em novembro subiu 1,05%, ante 0,75% no mês anterior.O economista-chefe do WestLB do Brasil, Roberto Padovani, também acredita que os números do PIB deverão reforçar ainda mais a cautela do Banco Central. "Mas, como a visão do BC é revista de tempos em tempos, acredito que ele poderá voltar a cortar juros em algum momento do próximo ano", diz o economista. Ele pretende elevar a projeção de crescimento do PIB deste ano de 4,5% para próximo de 5%.Padovani diz reconhecer o bom desempenho do PIB Agropecuário, que cresceu 7,2% no terceiro trimestre em relação ao anterior e 9,3% em relação ao mesmo período do ano passado. "Mas a agropecuária é sempre muito errática. Por isso não dá para fazer uma análise muito aprofundada."O economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, prevê que o período de pausa da política monetária será longo. "Nosso cenário, desde o primeiro trimestre de 2007, é que a taxa de juro em 2008 será mantida inalterada." Segundo ele, a razão fundamental é que, embora o PIB potencial tenha acelerado, como resultado dos investimentos e ganhos de produtividade, o PIB efetivo está se expandindo ainda mais rapidamente."Observamos problemas de oferta - escassez de insumos e de mão-de-obra qualificada", disse Bassoli, avaliando ainda que há uma disseminação das pressões inflacionárias. "Em torno desse cenário, vejo mais riscos de elevação do que de recuo da taxa de juro."

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