Resultados da BP refletem problemas nos EUA e com a Rússia

A petrolífera britânica BP relatou nesta terça-feira resultados trimestrais inesperadamente baixos, ao reduzir em 5 bilhões de dólares o valor de seus ativos nos Estados Unidos.

Reuters

31 de julho de 2012 | 14h57

A BP, que enfrenta processos judiciais por um vazamento de petróleo no Golfo do México em 2010, além estar com problemas com seus sócios da Rússia, disse que tanto sua produção de petróleo quanto suas margens de refino caíram no segundo trimestre, e que esses números retrocederiam ainda mais no terceiro trimestre.

O valor de 5 bilhões de dólares inclui 2,7 bilhões de dólares pela diminuição do valor das refinarias dos Estados Unidos, e 2,1 bilhões pela depreciação dos ativos norte-americanos de gás de xisto, que foram afetados por uma queda nos preços.

A empresa também incluiu a suspensão do projeto Liberty, no Alasca. A BP encerrou o Liberty no início de julho, argumentando que o projeto iria custar mais do que os 1,5 bilhão de dólares inicialmente previstos.

A depreciação do gás de xisto e das refinarias não é nenhuma surpresa. Outras empresas estão fazendo o mesmo em meio a fracas margens de processamento de combustíveis, e com os preços do gás nos EUA perto da mínima de 10 anos --abaixo dos custos de alguns operadores dos campos de xisto.

O uso de tecnologia para realizar explosões subterrâneas de fratura e perfurações horizontais está tornando possível a extração do gás de reservas que se acreditava serem irrecuperáveis. Mas o elevado custo do processo tornou o gás uma vítima de seu próprio êxito, graças ao excesso de oferta nos EUA.

A BP também reservou provisões adicionais de 847 milhões de dólares pelo vazamento de petróleo no Golfo do México, fazendo com que o total destinado à catástrofe somasse 38 bilhões de dólares.

Os investidores estão à espera de um acordo com autoridades norte-americanas antes das eleições do país, mas a BP advertiu que havia uma "grande incerteza" sobre suas possíveis responsabilidades.

A BP também está em discussão com os co-proprietários de seu empreendimento conjunto russo TNK-BP, que nesta segunda-feira bloqueou o pagamento de dividendo da empresa, que proporciona 29 por cento da produção da BP.

"Até que sejamos capazes de resolver uma ou ambas as questões, vamos continuar a ter um alto nível de incertezas sobre a empresa", disse Bob Dudley, presidente executivo da BP, a jornalistas após a divulgação dos resultados.

Os encargos levaram a BP a registrar perdas de 1,4 bilhões de dólares no trimestre.

O lucro ajustado foi de 3,7 bilhões de dólares, abaixo dos 5,7 bilhões há um ano, e menos do que as expectativas de cerca de 4,4 bilhões de dólares.

(Reportagem de Andrew Callus)

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