Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Resultados de vendas reforçam expectativa de IBC-Br negativo, diz analista

Economista afirma que desaceleração vista na indústria já começa a ser percebida também no setor de serviços; índice de atividade do Banco Central é considerado como prévia do PIB

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 11h03

O resultado negativo apresentado em março pelas vendas do comércio varejista, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 14, confirma a desaceleração mais forte da economia, diz o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, que tem previsão preliminar de queda de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano.

Segundo o IBGE, as vendas do varejo caíram 0,9% em março em relação a fevereiro e acumulou queda de 0,8% nos primeiros três meses do ano, ante igual período de 2014. A queda das vendas, de acordo com Serrano, reflete entre outras coisas a falta de confiança e a menor oferta de crédito pelos bancos.

A desaceleração que se via de forma mais intensa no segmento industrial, de acordo com o economista, já começa a se fazer presente no setor de serviços também. A péssima notícia, segundo previsão do economista do Besi Brasil, é que o quadro negativo do varejo deverá se estender para abril. 

Para ele, os indicadores antecedentes já apontam para isso. Dentre esses dados, está a queda de 6,35% das vendas de veículos registrada pela Fenabrave. Outro destaque feito por Serrano é que, também por conta do varejo negativo em março, o Indicador de Atividade do Banco Cebtral (IBC-Br) a ser divulgado amanhã deverá vir com uma queda em torno de 0,9%. 

Os dados das vendas de março deverá acentuar a visão negativa dos analistas do mercado financeiro em relação à atividade na reunião que terão com diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, no dia 18, em São Paulo, e no dia 19, no Rio de Janeiro. Nestas reuniões, que ocorrem trimestralmente, os analistas colocam para a autoridade monetária suas percepções em relação à atividade, inflação e economia internacional.  As informações são usadas, em tese, na redação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). 

Serrano lembra que na reunião passada a visão dos economistas em relação à atividade já tinha sido muito negativa. Agora, de acordo com ele, o assunto poderá ser tratado, mais uma vez, com viés muito negativo. 

Mais conteúdo sobre:
IBC-BrvarejoPIB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.