Resultados do balanço de pagamentos são frágeis

Os resultados do balanço de pagamentos foram certamente os que mais destaque tiveram ao longo do ano. Até o final de novembro, mostraram melhora firme, apresentando superávit de US$ 58,1 bilhões, valor superior em 20,8% ao do mesmo período de 2010. É preciso dizer, no entanto, que foram fatores muito diferentes dos de 2010 os que permitiram alcançar o resultado deste ano.

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h05

O mais evidente deles é o aumento do saldo positivo da balança comercial, que apresentou aumento de 94,9%, com uma elevação das exportações de 292,4%, sem redução das importações, que cresceram 251,6%. O aumento notável das exportações reflete em boa parte a elevação do preço das commodities, que, aliás, já vem acusando um recuo que pode se acentuar em razão da crise nos países europeus. O fato importante é que o crescimento maior se deu nos bens básicos, enquanto diminuía a participação dos produtos industrializados nas exportações. Estamos, pois, diante de um resultado bastante precário nas exportações, ao passo que a participação das importações deverá crescer. O próprio Banco Central (BC) está prevendo que o saldo da balança comercial em 2012 deverá cair para US$ 23 bilhões.

O resultado negativo dos serviços, nos 11 meses do ano, acusou aumento de 22,1%, com o déficit dos transportes crescendo 22,8%, o que reflete o aumento das importações, de um lado, e a falta de navios de bandeira brasileira, de outro. O déficit das viagens internacionais foi 41,1% maior do que no ano passado - efeito do câmbio supervalorizado, que se tornou um convite para o turismo, situação que só poderá mudar com uma desvalorização do real, ainda incerta. Já o déficit nas transferências de renda foi também 21,2% maior; o dos lucros e dividendos, de US$ 33,5 bilhões, foi 284,1% mais elevado, situação que o aumento de 95,1% dos investimentos diretos estrangeiros torna mais aceitável.

O BC prevê investimentos de US$ 69,2 bilhões para 2012, estimativa audaciosa no atual contexto da economia mundial e que só os investimentos de países asiáticos permitirão alcançar. Finalmente, há que se levar em conta que os empréstimos de longo e de médio prazos representarão, segundo o BC, uma entrada de US$ 47,7 bilhões em 2012 (ante US$ 79,3 bilhões neste ano), o que nos parece extremamente prudente, ainda que as dificuldades para obter recursos externos se tornem maiores.

Tudo indica que o balanço de pagamentos, em 2012, não encontrará as facilidades deste ano.

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