Resultados do Governo Central dão razão ao FMI

Depois do alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, saiu em defesa das contas públicas brasileiras, mas os números do Governo Central divulgados ontem pelo Tesouro mostram uma clara deterioração, com o aumento forte das despesas. O ano foi de crescimento histórico para a economia brasileira, recuperação da arrecadação, mas mesmo assim o retrato das contas públicas não é o mais favorável para o País.

Cenário: Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

É certo que o Brasil se destaca positivamente entre outros países que atravessam dificuldades econômicas. O problema é a crescente escalada dos gastos públicos, que mancha a fotografia da política fiscal e dá mais trabalho para o Banco Central controlar a inflação ascendente. Mesmo com todo o esforço de "garimpo" de receitas, o governo não conseguiu cumprir a meta cheia de superávit primário das contas do setor público e ainda mais: arranhou a credibilidade. A meta foi reduzida, no fim do ano passado, com o jogo andando.

São poucos hoje os que acreditam que o governo conseguirá cumprir a meta cheia em 2011, apesar dos discursos reiterados de integrantes da equipe econômica. Talvez tivesse sido melhor o governo ter assumido uma meta menor já no início de 2010, como defendiam integrantes da equipe econômica.

Cresce, assim, o número de observadores desconfiados da promessa que se repete para 2011 de que mais uma vez o Brasil fechará suas contas, cortará gastos, contribuindo para a queda dos juros. É por isso que a credibilidade da política fiscal do Brasil está sendo questionada pelos analistas econômicos e, agora, também pelo FMI, que nos últimos anos vinha elogiando a condução do gerenciamento das contas públicas brasileiras.

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