SERGEI KARPUKHIN | REUTERS
SERGEI KARPUKHIN | REUTERS

Retaliação chinesa aos Estados Unidos inclui o petróleo

País asiático é o maior importador do óleo bruto americano, e inclusão do produto na lista das sobretaxas foi uma surpresa para analistas

Reuters

16 Junho 2018 | 22h29

PEQUIM - O governo chinês surpreendeu os mercados de petróleo com ameaças de impor tarifas sobre as importações de petróleo bruto, gás natural e outros produtos de energia de origem americana, num momento em que a China ocupa o topo da lista de importadores de petróleo dos Estados Unidos.

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As sobretaxas são uma resposta do país asiático aos US$ 50 bilhões em tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump. A China impôs uma quantidade similar de tributos sobre uma variedade de bens dos Estados Unidos.

Mas Pequim também disse que taxará os produtos de energia dos EUA, o que analistas consideraram uma surpresa, já que ameaças anteriores se concentravam apenas em itens agrícolas e automóveis.

“Isso é sério. A China é essencialmente o maior cliente para o petróleo dos EUA agora. Para o petróleo bruto isso já é um problema, imagina quando se envolve produtos (refinados) também. Isso é obviamente um grande desdobramento”, disse Matt Smith, diretor de pesquisa em commodities da ClipperData.

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A China atualmente importa aproximadamente 363 mil barris de petróleo bruto americano por dia, empatando com o Canadá como maior importador de petróleo bruto dos EUA, de acordo com dados do Departamento de Energia dos EUA. O gigante asiático ainda importa mais 200 mil barris por dia de outros derivados, como o gás propano.

A indústria de energia dos EUA têm sido impulsionada pela produção de xisto do país, elevando a produção diária de petróleo para um recorde de 10,9 milhões de barris por dia. Do total, os Estados Unidos agora exportam cerca de 2 milhões de barris por dia, com Trump exaltando a dominância do país na produção de energia e a exportação como chave para influência global dos EUA.

Os Estados Unidos também vêm pedindo a outras nações, incluindo a China, que comprem mais energia dos EUA e limitem as compras de petróleo bruto do Irã – principalmente depois que Trump abandonou o acordo relativo a armas nucleares fechado com os iranianos em 2015. A China é o maior comprador de petróleo iraniano, com 650 mil barris diários no primeiro trimestre deste ano.

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Uma sobretaxa poderia desencorajar os refinadores chineses de importar petróleo americano. A tarifa com a qual a China ameaça os EUA chega no momento em que os principais produtores globais de petróleo, incluindo a Arábia Saudita e a Rússia, devem anunciar, na próxima reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o aumento de sua produção, juntamente com outros países que não fazem parte da organização.

Além do petróleo bruto, a China também é uma grande importadora de outros derivados, e as tarifas aumentariam os preços para isso e para vários outros produtos de petróleo, disse Bernadette Johnson, vice-presidente da empresa Drillinginfo. “A constante troca de tarifas cria muita incerteza no mercado, o que dificulta a venda de cargas ou a assinatura de contratos de longo prazo”, disse.

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