Drew Angerer/The New York Times
Drew Angerer/The New York Times

Retaliações europeias atingiriam eleitorado republicano

Medidas de resposta ao protecionismo americano tem como objetivo criar um “choque político” nos estados que apoiaram Trump

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 18h06

GENEBRA – Na estratégia para pressionar o governo de Donald Trump diante de suas medidas protecionistas, a Europa se prepara para apresentar retaliações contra produtos americanos fabricados acima de tudo nos estados de importantes eleitorados republicados e nas regiões de origem de lideranças do partido de Trump.

Nesta quinta-feira, 8, a Casa Branca deve anunciou medidas protecionistas ao seu setor siderúrgico. 

Ainda assim, na formulação de uma ampla lista de produtos emblemáticos americanos que seriam alvo de retaliação, os europeus incluíram as motos Harley Davidson Inc, fabricadas no estado de Wisconsin, base eleitoral do presidente do Congresso americano, o republicano Paul Ryan.

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A ideia é de que, além de um impacto comercial, o protecionismo da Casa Branca também tenha consequências políticas. O eleitorado justamente que votou por líderes republicanos seriam os primeiros a sofrer algum tipo de prejuízo.

Outros produtos afetados ainda viriam de estados com forte produção agrícola, também com forte apoio ao Partido Republicano.

Um dos bens sob ameaça ainda seriam bebidas como o uísque bourbon, fabricado no estado de Kentucky. O local é a base eleitoral de Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado.  

Ao Estado, um negociador europeu explicou que houve um cuidadoso mapeamento de quais produtos seriam sensíveis politicamente para Trump e seu partido. “Estamos há alguns meses já trabalhando em uma eventual lista”, explicou. 

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Ela conta com um terço de bens industriais, um terço de agrícola e o outro terço do setor siderúrgico. 

O objetivo é de que, pressionados por seu eleitorado, o partido republicano possa influenciar Trump a desistir do caminho protecionista. “O objetivo é o de criar um choque político internamente nos EUA”, completou o negociador, na condição de anonimato. 

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