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Retenção de crédito para habitação frustra construtoras

Apesar da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o setor de construção civil em motor do desenvolvimento e da geração de empregos, no primeiro trimestre deste ano apenas 2,51% do total de R$ 5,3 bilhões em recursos previstos para o setor de habitação foram investidos em financiamentos que priorizam a construção de imóveis novos. Ao todo, foram investidos apenas R$ 133,24 milhões em projetos do gênero.O estudo, que aponta outros problemas enfrentados pelo setor no primeiro trimestre, foi apresentado pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG) ao vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Governo da Caixa Econômica Federal (CEF), Aser Cortines, na semana passada. O representante do principal órgão federal para o financiamento da habitação mostrou-se atento às preocupações do setor e enumerou uma série de modificações que já estão sendo implementadas na CEF para facilitar o acesso das construtoras às linhas de crédito para imóveis na planta.De acordo com o presidente do Sinduscon-MG, Teodomiro Diniz Camargos, já é tarde para que o governo coloque no mercado o total de recursos previstos para a habitação até dezembro. Segundo ele, o primeiro trimestre foi de muitas adaptações e mudanças gerenciais na Caixa, mas o tempo perdido foi crucial."Acho muito difícil. Exige um belo trabalho de mudança na gestão interna da Caixa", afirmou, ao explicar que o sistema de liberação de crédito do banco para as construtoras é muito burocrático e, de certa forma, beneficia empresas novas. "Uma empresa que não tem nenhum empréstimo no mercado, mas também nenhuma realização, tem mais chances de conseguir do que uma tradicional, com muitas obras já feitas", diz Camargos.Segundo o presidente do Sinduscon-MG, Cortines adiantou que a Caixa já fez algumas modificações que começarão a ser notadas nos próximos meses, como o estabelecimento de metas para a aplicação de projetos habitacionais, a serem cumpridas por todas as gerências das agências bancárias.Desde o lançamento do projeto de habitação, o Sinduscon-MG tem procurado exercer fiscalização sobre os passos do governo. "O próprio Lula nos elegeu como fiscalizadores, então estamos no nosso papel de alertar", disse.Para Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do Sinduscon de São Paulo, os números relativos às vendas de materiais básicos para construção, como aço e cimento, mostram que a atividade na construção civil está muito baixa. Segundo ele, não houve, até o momento, nenhuma modificação em relação à política habitacional do governo anterior."O dinheiro disponível não é novo e este filme também", afirmou Zaidan, ao criticar a política de liberação de crédito da Caixa. "Não é novidade nenhuma a Caixa não conseguir colocar os recursos no mercado", concluiu. Para o vice-presidente do Sinduscon-SP, enquanto não houver uma política nova e clara para a habitação, pouca coisa mudará na liberação dos financiamentos.

Agencia Estado,

15 de maio de 2003 | 13h40

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