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Retirada de estímulos é grande desafio

Economia americana terá de manter a retomada mesmo sem a montanha de dólares injetada pelo Federal Reserve

Cláudia Trevisan - Correspondente de O Estado de S. Paulo,

26 de abril de 2014 | 10h50

 

Yellen, do Fed: incertezas sobre fim do 'relaxamento quantitativo' (Reuters)

WASHINGTON - Os Estados Unidos cresceram acima do esperado no segundo semestre do ano passado e caminham para ter expansão próxima de 3% em 2014, no que seria o mais elevado patamar desde 2005.

O desafio será manter o país nos trilhos em um cenário de retirada da injeção de esteroides representada pelo estímulo monetário que derramou trilhões de dólares na economia e mantém a taxa de juros próxima de zero desde 2008.

O fortalecimento da atividade econômica abriu espaço para o Federal Reserve (Fed) anunciar em dezembro o início da redução do valor de suas compras mensais de títulos do Tesouro e de bônus lastreados em hipotecas.

Batizadas de "relaxamento quantitativo", essas operações permitiram que o Fed desse estímulos adicionais à economia depois de esgotada a munição da política monetária tradicional, com a redução da taxa de juros a zero.

A queda do desemprego a 6,7% foi o indicador que mais influenciou a decisão de começar a retirar a economia do respirador artificial. O montante de papéis comprados pelo Fed a cada mês diminuiu de US$ 85 bilhões em dezembro para US$ 55 bilhões em março. Se os dados continuarem a evoluir como o esperado, o "relaxamento quantitativo" será totalmente eliminado até outubro.

O fim do estímulo adicional será em parte compensado por uma política fiscal menos rigorosa, depois de três anos de corte de gastos e demissões de servidores públicos que seguraram o ritmo de crescimento.

Pelas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a austeridade fiscal subtraiu entre 1,25 e 1,5 ponto porcentual da alta do PIB americano em 2013. Isso significa que em vez de crescer 1,9%, o país poderia ter tido expansão de pelo menos 3,15%, caso o poder público não estivesse reduzindo despesas.

Austeridade fiscal não combina com saída de recessões e nunca foi adotada nos períodos anteriores de recuperação econômica, diz Anastasia Christman, economista do National Employment Law Project (Nelp), entidade que realiza estudos sobre a questão do emprego.

Segundo ela, o setor público perdeu ou deixou de ocupar pelo menos 650 mil postos de trabalho entre 2010 e 2013. "Isso não tem precedentes", afirmou, lembrando que o número de servidores públicos aumentou nos períodos imediatamente posteriores às três recessões vividas pelos Estados Unidos desde 1981.

Se for considerado o impacto negativo da contenção fiscal sobre o setor privado, o número total de empregos perdidos entre 2010 e 2013 em razão dos cortes de gastos sobe para 2,1 milhões, estima Christman.

 

Setor público. A austeridade do setor público é um dos fatores que ajudam a explicar o arrastado processo de recuperação do país, que é o mais longo desde a Grande Depressão de 1929. A maior economia do mundo registrou crescimento médio anual de 1,8% desde junho de 2009, quando voltou a se expandir depois de 18 meses de contração. O índice equivale à metade do ritmo verificado nas três recuperações anteriores, apesar do massivo estímulo dado pelo Fed.

A injeção de recursos na economia começou a ser retirada, mas a normalização da política monetária será gradual e só deverá estar concluída em 2016, quando se espera que as taxas de juros se aproximem de suas médias históricas. Sob o comando de Janet Yellen, o Fed vai sentir as pedras antes de dar os próximos passos, interpretando estatísticas que muitas vezes parecem contraditórias.

Com a queda do desemprego, as atenções da instituição estão cada vez mais focadas na inflação, que se mantém em torno de 1%, bem abaixo da meta oficial de 2% anuais. O ritmo deprimido da alta dos preços é um sinal de que a economia continua a operar abaixo de seu potencial e pode ter dificuldades de caminhar sem as muletas do Fed.

Depois do fim do "relaxamento quantitativo", o time de Yellen terá de decidir o momento de iniciar o processo de retomada da alta da taxa de juros. No mês passado, a presidente do Fed indicou que a elevação pode ocorrer antes de meados de 2015, mais cedo do que o mercado esperava.

Para que a mudança ocorra, o índice de desemprego deverá estar abaixo de 6,5% e a inflação não poderá superar os 2%. A trajetória recente indica que o desemprego vai em breve perfurar o patamar indicado pelo Fed. A grande incógnita é saber qual será resposta do time de Yellen caso a inflação continue deprimida.

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