Retirada mais uma medida adotada contra alta do real

O Banco Central desmontou ontem mais uma medida cambial para atrair dólares de volta ao Brasil e segurar a tendência de desvalorização do real. A ação, somada a uma série de três leilões seguidos da moeda americana, surtiu efeito e o dólar caiu 0,33%, para R$ 2,089, perto da cotação mais baixa do dia.

CÉLIA FROUFE, EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h09

Ontem, o BC flexibilizou uma medida anunciada em 2011, que punia os bancos com apostas na queda do dólar acima de US$ 1 bilhão, obrigando as instituições a deixar parte do dinheiro parada, sem remuneração, em depósito compulsório. A partir de amanhã, a punição só atinge o que superar US$ 3 bilhões, o que estimula o setor financeiro a ampliar o que é conhecido no mercado como "posição vendida" em moeda estrangeira.

Uma a uma, o governo recolhe as armas usadas para tentar conter a queda do dólar. O objetivo agora é conter a alta da moeda americana, que pode pressionar a inflação. Das cinco principais ofensivas de 2012, só segue intacta a cobrança de 1% de IOF sobre derivativos cambiais.

Nos primeiros meses do ano, o governo temia os efeitos da valorização do real sobre a indústria nacional. O aumento das importações revelou que os produtos domésticos ficaram menos competitivos. Em palanques internacionais, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou a existência de um movimento de vários países para desvalorizar suas moedas e minimizar os efeitos da crise sobre seus mercados e cunhou a expressão "guerra cambial". A presidente Dilma Rousseff disse haver um "tsunami monetário" no mundo.

A reversão da medida neste momento, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, tem como objetivo dar mais liquidez e fluidez ao mercado de câmbio. "É a distensão de medidas adotadas em um momento em que havia afluxo mais intenso (de capitais). Agora, temos um cenário distinto." No começo deste mês, o governo reduziu de 6% para zero a alíquota de IOF sobre os empréstimos de empresas e bancos no exterior para contratos com prazo de dois anos. Agora o imposto só é pago para operações mais curtas do que um ano.

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