Dida Sampaio/Estadão
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Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Retomada da economia, no pós crise, passa primeiro por ações não financeiras, diz Montezano

Em videoconferência, o presidente do BNDES disse estar atento à dificuldade de MEIs e pequenos em acessar o crédito liberado pelos bancos; ele também defendeu as privatizações

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2020 | 23h57

RIO - O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve participar do processo de enfrentamento da crise atual como consultor técnico e financiador do setor de infraestrutura, emprestando crédito em real e visando o longo prazo, segundo o presidente da instituição, Gustavo Montezano.

Em conferência virtual promovida pela XP Investimentos, ele afirmou, no entanto, que a retomada da economia, passada a crise, depende, inicialmente, de ações que não são de natureza financeira. O argumento é que a solução do problema passa pela estrutura regulatória e por reformas.

"A gente tem os pilares ordem e progresso. O pilar ordem é para tornar as regras mais justas e atrativas. Tem que ter um contrato de concessão bem feito, regulamentos setoriais estabelecidos. O processo reformista que já estava na agenda se tornou ainda mais importante", afirmou Montezano, acrescentando que o BNDES participa como consultor técnico no debate.

Ele disse ainda estar sensível à dificuldade das empresas de menor porte de acessar o crédito liberado nesta fase de crise. "Continuamos buscando soluções. Temos que pluralizar as iniciativas. Ter modelos A, B e C. O que funcionar melhor terá mais recursos. O aprendizado está vindo", disse.

Privatização

A Eletrobrás é a empresa estatal mais preparada para a privatização, segundo o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Ele afirmou que o projeto de venda da estatal elétrica está pronto e que depende agora do debate no Congresso.

Na defesa pela privatização, ele argumenta que a capacidade de investimento da Eletrobrás é hoje muito inferior à necessidade do setor. "A necessidade de investimento no setor elétrico é de R$ 15 bilhões e a empresa pode investir cerca de R$ 5 bilhões", afirmou Montezano.

Os processos de privatização de outras estatais, como dos Correios e de empresas de trens urbanos, não foram interrompidos pela crise, segundo o presidente do BNDES. O banco foi autorizado no fim do ano passado a assessorar a venda da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb).

"Toda parte de preparação de projeto continua andando na crise. Nesse momento que o Estado requer dinheiro, mais do que nunca a gente precisa que investidores assumam ativos", disse.

Ele ainda enfatizou o foco na área de saneamento, com destaque para a venda da Cedae, no Rio de Janeiro, e o mapeamento de possíveis privatizações em outros Estados, como no Ceará e em Alagoas.

"O saneamento é hoje nossa bandeira principal. Pode mudar o Brasil. Já tema do gás é disruptivo e as florestas podem ser o petróleo do futuro, temos que aprender a monetizar isso", acrescentou.

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