Retomada da economia será frágil e em velocidades distintas, diz FMI

Países desenvolvidos devem se recuperar bem mais lentamente do que os mercados emergentes

Luciana Xavier, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 10h39

Ainda que reconheça que o cenário mundial melhorou muito em comparação há um ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) segue cauteloso sobre o processo de retomada da economia global. Segundo o Fundo, a retomada será frágil e em velocidades diferentes, com os países desenvolvidos se recuperando bem mais lentamente que os mercados emergentes, destaca a nova edição do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês).

"A melhora das perspectivas de crescimento reduziu os perigos de deflação, enquanto as expectativas de inflação seguem contidas, uma vez que as lacunas na produtividade continuam grandes em várias economias desenvolvidas", afirma o texto.

Por outro lado, as consequências da bolha do crédito aumentaram os riscos soberanos e pioraram a trajetória do déficit orçamentário, afirma o relatório. "Com os mercados dispostos cada vez menos a encorajar a alavancagem - seja num banco ou em balanços do governo - os prêmios de risco de créditos soberanos recentemente se ampliaram nas economias maduras com vulnerabilidades fiscais". Segundo o fundo, as preocupações com a solvência no longo prazo acabam se traduzindo em pressões para financiamentos no curto prazo.

Grécia

A crise global do crédito expôs vulnerabilidades e elevou os riscos soberanos de vários países, como a Grécia. A questão agora é saber se esses riscos podem estender a duração da crise, diz o FMI. De acordo com o relatório, os níveis da dívida soberana de países do G-7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estão se aproximando das máximas dos últimos 60 anos. "Maiores níveis de dívida têm potencial de se esparramar e ter impacto nos sistemas financeiros".

O FMI também ressalta que existe uma correlação entre os países com maiores déficits em conta corrente e maior necessidade de ajuste fiscal e os swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês), que permitem que o investidor se proteja contra a moratória da dívida de um país ou, ao contrário, aposte na probabilidade de o default ocorrer.

Essa seria uma preocupação que envolve hoje especialmente a Grécia, mas existe o receio de investidores também com o crescimento da dívida em outros países, como Portugal, Espanha e Itália. De acordo com o relatório do fundo, esses países estão fazendo parte da quarta fase da crise na zona do euro, a do risco soberano. As outras fases foram da formação da crise financeira, a explosão da crise e a resposta dos governos.

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