Retomada da expansão do ritmo dos Brics não deve ser a curto prazo

Os países que formam a sigla Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tiveram uma piora de desempenho nos últimos anos que afetou a economia mundial e dificilmente os ritmos de crescimento devem voltar no curto prazo aos níveis fortes que estes mercados tinham na década passada, de acordo com a consultoria Capital Economics, que nesta semana fez seu encontro anual em um hotel em Nova York.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

08 de março de 2015 | 20h05

"Vai ser difícil ver a expansão potencial da economia mundial se acelerar a menos que haja uma reativação do crescimento dos Brics", disse o diretor da Capital Economics para mercados emergentes, Neil Shearing, em sua apresentação, citando que os países do bloco respondem por cerca de 30% da economia mundial. Além disso, foram responsáveis por cerca de 45% da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) global desde 2000.

Todas as previsões de crescimento dos Brics para 2015 e 2016 apresentadas pela Capital Economics são menores que as taxas de expansão do bloco no período 2000/2010, que marcou o auge do boom internacional dos preços das commodities. No caso da Índia, o PIB cresceu 7,5% ao ano neste período e, na Rússia, foi de 4,9%. No Brasil, a alta média foi de 3,6%; na China ficou em 10,5%.

A Rússia é o mercado do bloco com pior situação este ano e deve encolher 5%, de acordo com o economista. O país deve se recuperar em 2016, ainda que de forma moderada, por conta da expectativa de alta do preço do petróleo, e avançar 2%. Já o Brasil, que teve "desaceleração dramática" do crescimento nos últimos anos, deve ter em 2015 e 2016 mais dois períodos de expansão muito fraca e com inflação alta.

A China vai continuar se desacelerando, destaca o economista global da Capital Economics, Julian Jessop, que também participou do evento. De uma expansão de 7,4% em 2014, o ritmo deve se reduzir para 7% este ano e 6,5% em 2016. Isso, porém, não é necessariamente um movimento ruim, avalia ele, porque reflete um rebalanceamento interno do país asiático, que fica menos dependente das exportações e mais do consumo interno e dos investimentos. Este rebalanceamento deve, no médio prazo, contribuir para um crescimento mais sustentável.

Já a Índia, após cair novamente nas graças dos investidores depois de um conjunto de reformas adotadas pelo novo primeiro-ministro, Narendra Modi, é o único país do bloco com expectativa de PIB em aceleração, mas mesmo assim abaixo do patamar da década passada. De 5,2% em 2014, a alta deve subir para 5,5% este ano e 6% em 2016, de acordo com as previsões apresentadas na conferência. "Um crescimento ainda mais forte requer a continuidade das reformas", disse Shearing.

PIB mundial

A desaceleração do crescimento dos Brics ocorre em um momento em que a economia global ainda patina, avalia Jessop. A previsão da Capital Economics para a alta do PIB mundial é de 3,2% este ano, mesmo ritmo de 2014. Em 2016, a alta deve ser pouco maior, de 3,5%.

A zona do euro deve continuar fraca, avançando apenas 1% em 2015, pouco mais que os 0,9% do ano passado. Entre as economias desenvolvidas, os Estados Unidos serão a exceção e devem ser o principal destaque, crescendo 3,3% este ano.

Com a economia mais aquecida, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve elevar os juros em meados deste ano, provavelmente em junho, avalia o economista para os EUA da Capital Economics, Paul Ashworth, que prevê um ritmo inicial de elevação das taxas "bastante gradual". "A demanda interna está mostrando sinais reais de estar se fortalecendo", disse ele, citando que os salários voltaram a subir.

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