Retomada da Rodada Doha seria só em 2010, diz Amorim

Para chanceler, eleições nos EUA e período de maturação do novo governo podem atrasar negociações

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

17 de junho de 2008 | 19h02

A Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) deverá ser retomada só a partir de meados de 2010 se os acordos finais sobre agricultura e indústria/serviços não forem concluídos até o final de julho. Para sua previsão, o chanceler Celso Amorim levou em conta o objetivo do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, de convocar uma reunião ministerial para julho, quando seria declarado o consenso ou o fracasso da Rodada.  Os fatores determinantes para um possível atraso de dois anos são a eleição presidencial dos Estados Unidos em novembro próximo - independentemente da vitória do Partido Democrata ou Republicano - e o período de maturação do novo governo americano. Segundo Amorim, o encontro do G-8 - o grupo das sete economias mais ricas do mundo somado à Rússia - agendado também para julho em Hokkaido, no Japão, não deverá interferir nesse processo. Para ele, o quadro atual mostra claramente os ministros dos principais parceiros da OMC "escondidos atrás" de seus negociadores técnicos para não assumirem a responsabilidade de fechar os acordos ou de declarar o fiasco da Rodada.  "Se a Rodada não for fechada antes das eleições americanas, calculo que as negociações serão retomadas apenas dentro de dois anos, pelo menos", declarou Amorim na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. "O risco de fiasco existe, mesmo que esteja presente apenas no âmbito técnico. Os ministros têm a obrigação de se reunirem para declarar o fracasso da negociação ou o seu adiamento. Indo para a reunião, eles podem até dar o impulso necessário para concluir a Rodada." Em um tom bem menos otimista que o usual, Amorim advertiu que será necessária "muita vontade política" e "visão realista" dos países desenvolvidos sobre a situação das economias em desenvolvimento para que os acordos sejam alcançados até o final de julho. Insistiu que, para o Brasil, é extremamente importante a conclusão da Rodada, cujos benefícios não seriam alcançados por nenhuma rede de acordos bilaterais. Mas ele ponderou que tal interesse não levará o Brasil a ceder - na abertura industrial - em troca de "qualquer vantagenzinha" - na área agrícola. Familiar Embora não tenha sido abordado sobre o tema, o chanceler explicou que a Rodada Doha não provocará cortes nos subsídios concedidos pelo governo brasileiro à agricultura familiar, setor responsável pelo fornecimento de cerca de 70% dos alimentos consumidos no País.  Com o recado, Amorim tentou acalmar as entidades da agricultura familiar às vésperas do lançamento, pelo governo, de um programa de incentivo ao setor. Ele informou que as atuais subvenções poderão cair na chamada caixa verde, na qual estão somados os subsídios autorizados pela OMC, e que o rascunho de acordo agrícola prevê a formação de estoques para a segurança alimentar e políticas de crédito ao setor.

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