Retomada de exportação de carne à UE pode demorar, diz SRB

A retomada das exportações decarne bovina brasileira para o mercado europeu pode demorar,disse o presidente da Sociedade Rural Brasileira, CesárioRamalho, nesta terça-feira. "A liberação é um negócio demorado. Estamos com acredibilidade no fundo do poço", afirmou Ramalho, durante umaentrevista coletiva na feira de tecnologia agrícola Agrishow. As exportações de carne bovina do Brasil para a Europaforam totalmente suspensas no início do ano, depois que osbrasileiros falharam em apresentar um sistema derastreabilidade do rebanho bovino de acordo com as exigênciasdos europeus. Depois de negociações, as autoridades da UE autorizaramexportações de apenas cerca de cem fazendas, o que não permiteque o país tenha nem perto do volume anterior de vendas aobloco. "É difícil prever quando vamos estar liberados, mas nãoacredito que seja rápido. Para retomar umas 3 mil a 4 milfazendas, criando volume para exportar, antes do final do anonão vai acontecer", acrescentou o presidente da SRB. A expectativa do governo --que adotou uma série de medidaspara buscar implementar a rastreabilidade nos moldes exigidos--é de os europeus, com as novas diretrizes, voltem a importar acarne brasileira gradativamente. "Na verdade, o europeu está colocando a gente em umaescola", disse ele, referindo-se às exigências européias. "Nãoé porque o cliente é chato que a gente vai dispensar ele daloja." Para o presidente da SRB, a postura do Brasil em relação aoembargo às exportações de carne bovina imposto pela UniãoEuropéia ainda distanciou o país do bloco, grande consumidor deprodutos agrícolas nacionais. "Quando a gente bate no peito e diz que o Brasil é omelhor, nós precisamos lembrar que não exportamos para osprincipais compradores do mundo, responsáveis por 50 por centodo comércio mundial de carne", destacou. Os europeus estavam antes do embargo entre os principaiscompradores da carne do Brasil em volumes, perdendo apenas paraa Rússia. No entanto, eles compravam os melhores cortes,pagando os preços mais altos pelo produto. O presidente da SRB, no entanto, se queixou da rigidez dasregras européias. "São Paulo está livre de aftosa há 12 anos ea Europa está fechada para São Paulo", afirmou. (Edição de Marcelo Teixeira)

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