Retomada do consumo de energia é mais lenta na indústria

A redução da atividade econômica, a expiração dos contratos iniciais do setor elétrico e o aumento da produção própria fizeram com que o consumo industrial de energia exibisse, no primeiro trimestre deste ano, uma recuperação inferior à apresentada pelo consumo residencial em algumas empresas do setor elétrico. De acordo com informações de Furnas Centrais Elétricas, geradora que atende o Sudeste e o Centro-Oeste do País, o consumo industrial de energia elétrica cresceu, no primeiro trimestre de 2003, apenas 2% em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo um total de 17.788 gigawatts-hora (GWh). Na mesma base de comparação, o consumo residencial apresentou um aumento de 17,2%, para um total de 11.997 GWh, na área de atuação de Furnas. A baixa retomada do consumo industrial chama a atenção pelo fato de o primeiro trimestre de 2002 constituir uma base de comparação muito pequena: durante os dois primeiros meses do trimestre ainda vigorava o racionamento de energia. Há de se considerar também que o próprio consumo residencial apresentou uma retomada pequena.Demanda destoanteOs números da demanda por energia pela indústria destoam de uma lenta, porém persistente, retomada do consumo na área de Furnas. Segundo o levantamento da companhia, o consumo total de energia no primeiro trimestre foi de 43.336 GWh, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2002.De acordo com a chefe da Divisão de Estudos Gerenciais e de Mercado de Furnas, Mayse Regal Maia, o crescimento pequeno do consumo industrial reflete a baixa atividade da indústria na área atendida pela estatal federal. "Furnas atende uma região em que a produção industrial está voltada ao atendimento do mercado doméstico, que vem sofrendo um impacto maior das condições da economia do que a indústria que atende o mercado externo", disse Mayse.O diretor do Departamento de Infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Pio Gavazzi, concorda com a avaliação de Furnas. "O Brasil vai bem, mas a indústria vai mal", disse Gavazzi, lembrando que o setor está sendo obrigado a demitir justamente por causa de sua baixa produção. Embora a Fiesp não disponha de um acompanhamento das condições do consumo de energia industrial, o diretor acredita também que tenha contribuído para a pequena recuperação um crescimento da produção própria de energia pelas grandes indústrias.RetraçãoNa área da Coelba, distribuidora que atende o mercado baiano, o consumo industrial apresentou uma significativa retração, de 17,57%, no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. "As indústrias da área de concessão da Coelba registraram um consumo de 464 GWh no primeiro trimestre deste ano, contra 563 GWh do final do ano passado", disse o diretor comercial da companhia, Mauro Magalhães. Ele atribuiu o resultado muito mais à própria atividade econômica do que a fatores como a redução dos contratos iniciais em 25%, a partir de janeiro deste ano, o que transformou em consumidores livres algumas indústrias que eram obrigadas a adquirir a energia das distribuidoras e o crescimento da geração própria. "O consumo industrial é inerente à atividade econômica", disse Magalhães. Esse resultado influiu para que as vendas de energia da Coelba apresentassem, no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de apenas 7,63% em volume, em comparação ao mesmo período de 2002, somando 2.302 GWh. O consumo residencial cresceu, no período, 13,1%, para um total de 785 GWh.

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