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Retomada do consumo em 2015 é impossível, diz Ibevar

Para representante do varejo, consumo das famílias não é promissor por combinação de fatores como juros, crédito e desemprego

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 14h50

O resultado do PIB do primeiro trimestre marcou a maior retração de consumo das famílias já registrada para um trimestre em quase 12 anos. Mesmo passado um período negativo, há pouca razão para esperar melhorias pela frente, avaliou ao Broadcast, serviços de informações da Agência Estado, o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), Cláudio Felisoni de Angelo.

"Este ano e 2016 não são promissores para o consumo, eu diria que neste ano uma retomada é impossível", comentou Felisoni, que também é presidente do conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda de 0,9% no consumo das famílias foi igual ao recuo observado no terceiro trimestre de 2003 e a maior nesta comparação desde o segundo trimestre de 2003.

Felisoni adota um tom crítico às políticas de estímulo ao consumo implementadas nos últimos anos. "O que faz com que o consumo cresça de maneira sustentável é o crescimento da capacidade produtiva do País, porque é isso que permite que se pague salários maiores, que se aumente o emprego", diz.

As perspectivas negativas para o varejo este ano são resultado de uma "combinação" de fatores negativos, diz. "O aumento dos juros compromete investimentos a médio e longo prazo e compromete o crédito, importante para o financiamento do consumo", comenta. "Além disso, as políticas de ajuste fiscal reduzem o ritmo da economia, reduzem o emprego e a massa real de salários", acrescenta.

Apesar de ressaltar o impacto negativo dos juros, o economista considera que taxas elevadas se justificam diante do atual ambiente de incerteza política. "Não se sabe até que ponto o esforço fiscal vai ser bem sucedido", comenta.

Crédito. Felisoni aponta ainda que, além da oferta restrita de crédito e dos juros altos, há uma baixa disposição do consumidor a obter algum financiamento. Diante de insegurança sobre a manutenção do emprego, as famílias evitam compromissos. "O consumidor toma decisões olhando para a frente e a preocupação das famílias com o desemprego está em alta", afirma. "Se o consumidor não sabe se manterá seu emprego, ele evita comprar bens duráveis. 

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