Retomada do setor de imóveis exige confiança

A ligeira melhora no ambiente macroeconômico do País verificada nos últimos meses não bastou para impedir que as condições do mercado imobiliário chegassem ao seu nível mais baixo em 12 anos

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2016 | 03h11

A ligeira melhora no ambiente macroeconômico do País verificada nos últimos meses não bastou para impedir que as condições do mercado imobiliário chegassem ao seu nível mais baixo em 12 anos, segundo o Radar Abrainc/Fipe, publicação técnica mensal da associação que reúne 35 empresas de incorporação, entre elas as principais responsáveis pela oferta de habitação para as famílias de classe média.

Em junho, o indicador registrou 2,2 pontos, abaixo dos 2,4 pontos de maio e do máximo de 7,6 pontos de julho de 2013. A confiança deu pequenos sinais de melhora, assinalou o diretor da Abrainc, Luiz Fernando Moura.

O Radar Abrainc/Fipe avalia 12 indicadores do setor imobiliário sob as ópticas do ambiente macroeconômico, crédito imobiliário, demanda e ambiente setorial. Em escala de zero a 10 pontos, mede a percepção de confiança, atividade, juros, condições de financiamento, concessões reais, atratividade do investimento e do financiamento imobiliário, emprego, massa salarial, lançamentos e preços de imóveis.

Só o ambiente macroeconômico teve ligeira melhora no mês, passando de 1,2 ponto para 1,3 ponto, mas ainda é baixíssimo, mostrando que será preciso avançar muito até chegar ao campo positivo (quando supera os cinco pontos).

A publicação reflete a percepção das empresas de ponta, que mais cresceram na década passada e hoje enfrentam forte ajuste. Por exemplo, 18 empresas da área de construção analisadas pela consultoria Economática registravam em junho dívidas de curto prazo de R$ 13,5 bilhões, em sexto lugar num conjunto de 22 segmentos. Muitas incorporadoras estão pressionadas. A falta de demanda é a questão mais crítica, com apenas 1,2 ponto no Radar. O crédito, com 2 pontos, também está abaixo da média de 2,2 pontos.

Dados recentes da Abrainc mostraram alta dos lançamentos de julho, para 2,3 mil unidades, 92,5% mais do que em igual mês de 2015 devido à baixa base de comparação. Entre janeiro e julho, foram lançadas 33,9 mil unidades, 13,8% mais do que em igual período de 2015. Mas as vendas caíram e o estoque para comercialização pouco oscilou.

Pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), por sua vez, indicaram quedas menos intensas nas expectativas e até na situação atual de construtoras. Mas as grandes companhias do setor mal parecem refletir essa melhora.

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