Retomada industrial ainda é lenta

Dados de abril da Confederação Nacional da Indústria indicam quadro menos animador que os do IBGE

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

A recuperação da produção industrial está ocorrendo em ritmo mais lento do que o antecipado, e pode reativar as pressões sobre o Banco Central (BC) para não reduzir o ritmo de corte da taxa básica, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana. Os dados industriais de abril, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que ainda é cedo para dizer que há retomada (ver página B1), e indicam um quadro ainda menos animador do que os da produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam lenta melhora mês a mês."A indústria caiu de elevador e está voltando a subir de escada", disse Alexandre Pavan Póvoa, diretor executivo do Modal Asset Management. Ele nota que a queda da indústria no Brasil foi parecida com a ocorrida na China, com uma parada súbita e um forte movimento de desova de estoques no último trimestre de 2008. Mas o economista acrescenta que "a diferença é que a China de fato está tendo uma recuperação em V, com uma reestocagem muito forte no início do ano, ao passo que o Brasil teve uma desestocagem sem reestocagem num segundo momento".O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, num relatório divulgado na terça-feira, nota que os primeiros dados de maio não sugerem uma recuperação da indústria num ritmo suficiente para que o cenário básico do banco, de queda de 3,5% no ano da produção industrial, se concretize. Em outras palavras, o mergulho deve ser ainda maior (nos 12 meses até abril, já se acumula um recuo de 3,9%, segundo o relatório).CONFIANÇAO Bradesco também aponta a questão dos estoques como um dos entraves à recuperação da indústria. No caso dos bens de capital, que tiveram um crescimento de 2,6% em abril, na comparação dessazonalizada com março, os estoques permanecem elevados. Segundo o relatório, que cita pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na categoria de bens de capitais, "há mais de três meses que é 0% o porcentual de empresas que consideram seus estoques insuficientes". Outra preocupação do banco é que "se sabe que muito do impulso da produção do setor automotivo nos últimos meses deve-se à redução do IPI".Pelo lado positivo, que poderia dar base a uma recuperação efetiva no segundo semestre, Póvoa cita a confiança dos empresários, que mostrou alguma melhora, a continuidade do bom desempenho das vendas no varejo e o fato de que, em algum momento, as empresas devem ter que pensar em formar estoques de novo.

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