Retomada industrial puxou o consumo de energia em 2010

Consumo da indústria cresceu 10,6% no ano passado, 2,1% mais do que o volume de 2008, no estouro da crise

Nicola Pamplona e Karla Mendes, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

RIO E BRASÍLIA

A retomada da atividade industrial impulsionou o consumo nacional de eletricidade em 2010, segundo informações compiladas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Em sua Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, divulgada ontem, a entidade informa que o consumo industrial cresceu 10,6% no ano e ultrapassou em 2,1% o volume verificado no ano de 2008, quando estourou a crise financeira mundial.

"O mercado de energia elétrica em 2010 foi favorecido pelo desempenho da economia, com destaque para o mercado interno, impulsionado pelo crescimento do emprego e da renda e pelo aumento da oferta de crédito", analisam, no documento, os técnicos da EPE. Segundo o boletim, a indústria contribuiu com 4,5 pontos porcentuais para o aumento da taxa de crescimento de 7,8% do consumo total.

A expansão maior nesse segmento se deu na Região Sudeste, que havia apresentado a redução mais significativa em 2009, de 9,1%, por conta da retração nos segmentos extrativo-mineral. Altamente dependentes desses setores, as indústrias de Espírito Santo e Minas Gerais, por exemplo, registraram alta de 32,8% e 18,2% no consumo de energia. Com o início das operações da Companhia Siderúrgica do Atlântico, o Rio teve alta de 16%.

Os segmentos residencial e comercial, segundo a EPE, mantiveram os altos patamares de consumo em 2010. Responsáveis por manter o desempenho do setor em 2009, os dois segmentos consumiram, respectivamente, 6,3% e 5,9% a mais do que no ano anterior. No caso das residências, houve ainda aumento no consumo médio por unidade residencial, que passou de 150,1 quilowatts-hora (kWh) por mês para 153,9 kWh por mês.

No Nordeste, diz o documento, o consumo médio por residência ultrapassou pela primeira vez, desde o racionamento, o patamar de 100 kWh por mês. Além da maior oferta de crédito, que possibilita a compra de novos eletrodomésticos, a EPE diz que o mercado de trabalho aquecido também contribuiu para o bom desempenho do segmento. Mesma explicação foi usada para a alta no consumo comercial.

Em entrevista em Brasília, o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, disse que o consumo de energia deve crescer 5,4% em 2011.

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