Retomada mais firme da economia brasileira

Análise: Bráulio Borges

ECONOMISTA-CHEFE DA LCA CONSULTORES, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h08

A evolução trimestral do IBC-Br sugere que o PIB brasileiro - cuja leitura referente ao segundo trimestre será divulgada pelo IBGE em 31 de agosto - deve mostrar um resultado bastante fraco (avanço de cerca de 0,5% sobre o 1º trimestre). Mas há evidências de que o bimestre junho-julho marca o período de retomada mais firme da atividade econômica.

Para além do indicador, são positivas as evoluções do volume de dinheiro em circulação e depósitos à vista nos bancos em termos reais em junho, julho e começo de agosto, e o saldo de contratações com carteira assinada em julho - que mostrou aceleração relevante, com a indústria voltando a contratar em um ritmo inédito em quase seis meses.

Com a maior parte dos segmentos industriais com estoques já ajustados e uma demanda interna em aceleração, é bem provável que o PIB avance quase 1% no terceiro trimestre. O crescimento só não deverá acelerar para um ritmo ainda mais forte por conta da fraca demanda externa.

Mesmo com a economia crescendo em um ritmo anualizado próximo de 4% na segunda metade do ano, o PIB de 2012 deverá crescer apenas 1,7% por causa do resultado bastante fraco do primeiro semestre. Para 2013, o cenário é mais promissor, mesmo com o desempenho morno da economia global. Nossa projeção de alta de 4,3% em 2013 tem por trás a forte retomada dos investimentos (de -0,1% em 2012 para +8,1% em 2013). O consumo das famílias deve passar de 4,6% em 2012 para 3,8% em 2013 - perda de fôlego associada à antecipação de compras com redução de IPI e menor reajuste real do salário-mínimo, de 2,7% em 2013 contra 7,5% em 2012.

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