Retomada mais forte depende das reformas

A economia brasileira ainda tem um alto nível de ociosidade e é um dos poucos países grandes do mundo com possibilidade aceleração do crescimento neste e nos próximos anos

José Ronaldo de C. Souza Jr.*, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 04h00

Os resultados do PIB , apenas aparentemente, vieram iguais aos de 2017, mas análise desagregada dos dados mostra aceleração da demanda interna, contrabalançada pela redução das exportações líquidas. O indicador Ipea de demanda interna por bens industriais já mostrava crescimento muito maior que a produção industrial mensal, crescimento de 3,0% da demanda contra 1,0% da produção.

O comércio exterior ficto de plataformas de petróleo explica praticamente metade da variação anual das quantidades importadas e exportadas de bens. No entanto, esse fato pouco afetou as exportações líquidas (exportações menos importações). Por outro lado, cerca de metade do crescimento dos investimentos é resultante de importações fictas de plataformas. Ainda assim, mesmo sem as plataformas, os investimentos teriam revertido a queda de 2017 para uma alta moderada em 2018.

As demais exportações foram muito prejudicadas pela crise econômica da Argentina – país que é um dos principais importadores de produtos industrializados do Brasil. Neste ano, isso deve ter impacto menor sobre o desempenho das nossas exportações e da nossa produção industrial. Outra influência negativa para 2019 é a piora quase generalizada das economias dos países desenvolvidos.

Por último, a disputa comercial entre os EUA e a China, que impulsionou as exportações brasileiras de soja – que cresceram mais de 20% em 2018 –, pode ter efeito contrário neste ano. A China deve ampliar as compras de grãos dos EUA, o que tende a prejudicar as exportações brasileiras.

Apesar dessa força externa negativa, a economia brasileira ainda tem um alto nível de ociosidade e é um dos poucos países grandes do mundo com possibilidade aceleração do crescimento neste e nos próximos anos.

Obviamente, o prazo para a aprovação das reformas é crucial para o crescimento do PIB em 2019.

*DIRETOR DE ESTUDOS E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS DO IPEA

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