Retomada pede desvalorização do real, diz Barbosa

A retomada do crescimento econômico, e em especial da indústria brasileira, passa por uma nova rodada de desvalorização do real em relação ao dólar, avalia o economista Nelson Barbosa, que por 10 anos esteve na linha de frente da política econômica do governo federal. Mas essa desvalorização, que poderia levar o dólar para patamar próximo a R$ 2,50 e assim atenuar a pressão sobre a indústria, deve ser feita "por meio do mercado", após uma redução da atuação recente do Banco Central, disse nesta segunda-feira, 26, Barbosa, em seminário sobre desenvolvimento industrial promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

JOÃO VILLAVERDE, ENVIADO ESPECIAL A SÃO PAULO, Agencia Estado

26 de maio de 2014 | 20h17

A desvalorização do real poderia vir por meio da redução das emissões, pelo Banco Central, dos contratos de "swap cambial" no mercado financeiro. Esse contrato representa o compromisso de venda de moeda estrangeira no futuro. Desde o ano passado, quando o governo e o BC passaram a trabalhar para atenuar a depreciação do real em relação ao dólar, o BC "vendeu" o equivalente a 24% das reservas internacionais, hoje em US$ 365 bilhões, em contratos de "swap". As reservas brasileiras estariam hoje em US$ 277,9 bilhões, feito o desconto do que foi compromissado em mercado, segundo Barbosa.

"Reduzir a oferta do swap fará com que o câmbio migre, via mercado, para um patamar mais desvalorizado do que o atual", afirmou Barbosa. Em um exercício econométrico, ele estimou que hoje a cotação do dólar deveria estar próxima a R$ 2,50 para evitar danos maiores à indústria. A estratégia conduzida pelo BC desde o ano passado deve começar a mudar, como já indicou o presidente da instituição, Alexandre Tombini.

IPCA

Para evitar que uma nova desvalorização aumente a inflação, afinal, segundo Barbosa, o governo "suspendeu o movimento de depreciação do real por conta da inflação", o economista avalia que o governo deverá, também, recuperar a capacidade de gerar esforços fiscais recorrentes, isto é, uma meta de superávit primário (os recursos que o governo usa para pagar os juros de sua dívida) que se repita anualmente.

Ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Barbosa deixou o governo Dilma Rousseff há exatamente um ano, mas continua muito influente dentro da estrutura federal. Hoje, o economista apresentou uma espécie de cardápio de medidas que podem melhorar o ambiente econômico nacional e trazer maior dinamismo à indústria. Além da desvalorização do câmbio, Barbosa defendeu também a prorrogação por mais um ano da desoneração da folha de pagamentos.

A medida, que expira em dezembro, foi uma das principais apostas da gestão Dilma para estimular a indústria e a economia como um todo. Inaugurada ainda em 2011, com o Plano Brasil Maior, a medida foi estendida a 56 setores. "Não é possível decretar o sucesso ou o fracasso da medida, por isso o governo deve prorrogar o benefício até o fim de 2015, e então fazer um balanço", disse ele.

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