Retomada vai vir mais cedo do que muitos imaginam, diz MRV

Segundo Rubens Menin, recuperação do setor imobiliário será sustentada pela demanda consistente por imóveis, pela continuidade do Minha Casa Minha Vida e pela oferta de financiamentos

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 13h26

O presidente do conselho de administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, disse acreditar que o mercado imobiliário mostrará uma retomada gradual no curto a médio prazo, sustentada pela demanda consistente por imóveis, pela continuidade do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e pela oferta de financiamentos, ainda que o setor precise de ajustes regulatórios.

"Os anos de 2015 e 2016 não foram bons. Mas sou mais otimista do que a média. A retomada vai vir mais cedo do que muitos imaginam", disse nesta terça-feira o executivo, durante o Summit Imobiliário, organizado pelo Grupo Estado em parceria com empresas e associações do setor da construção civil. Diante das boas perspectivas, ele disse considerar a possibilidade de o setor voltar a gerar empregos neste ano, ao contrário dos períodos anteriores.

Menin observou que o Brasil ainda conserva um crescimento demográfico significativo, o que implicará na necessidade de produção de 35 milhões de moradias ao longo dos próximos 20 anos para as famílias que continuam se formando. "Isso faz do Brasil o quarto maior mercado de habitação do mundo em termos de demanda", ressaltou o empresário, explicando que o País só é superado por China, Índia e Estados Unidos.

O presidente do conselho da MRV – principal parceira do governo no MCMV – elogiou o programa habitacional. Neste ano, o Ministério das Cidades ampliou as metas de contratação em relação a 2016 e expandiu as faixas de renda e os valores dos imóveis enquadrados. Menin observou que o programa é superavitário nas faixas 2 e 3, e voltará a ter contratações na faixa 1 neste ano.

O empresário avaliou ainda que a produção de imóveis conta com boa disponibilidade de crédito, embora seja preciso diversificar as fontes de financiamento para se evitar escassez de recursos futuramente, quando o setor estiver novamente aquecido. "Acho que vai faltar funding na retomada", estimou, citando as oscilações na oferta de recursos originados na poupança e no FGTS.

Já no campo jurídico, o empresário voltou a defender a regulamentação dos cancelamentos dos contratos de compra e venda de imóveis - os chamados distratos. As rescisões nos contratos de unidades negociadas na planta têm provocado muitas perdas de caixa pelas empresas, ponderou. "Se não conseguirmos uma boa regulamentação, o setor vai sofrer um pouco mais. O desafio de 2017 é regulamentar os distratos".

Menin comentou que há um grupo de trabalho formado por representantes empresariais e membros do governo federal para discutir o assunto, mas ainda não houve acordo sobre as regras para os distratos. "Já fui mais otimista sobre uma solução mais rápida. Agora estou na retaguarda", disse, sinalizando que o tema ainda pode demorar até encontrar um desfecho.

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